O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou ao ministro dos Transportes, Anderson Adauto, a realização de um estudo em parceria com o Ministério da Defesa, para reequipar os onze batalhões de engenharia do Exército. Segundo o porta-voz da Presidência, André Singer, a fonte dos recursos para a reequipar as Forças – necessária para convencer o Exército a ajudar nas obras públicas – ainda não foi definida.

Lula também pediu a Adauto, segundo o porta-voz, que discuta com a iniciativa privada a proposta de recuperação da malha rodoviária que contará com a participação do Exército. Singer também destacou que a participação do Exército no trabalho de recuperação e construção de rodovias será limitado, mesmo após o reequipamento dos batalhões.

A idéia, segundo ele, é de que o Exército atue principalmente nas proximidades de cada batalhão de engenharia. Uma atuação mais ampla, que também foi aprovada por Lula, deverá ocorrer na fiscalização das obras tocadas pela iniciativa privada com recursos públicos. Também é possível, segundo Singer, que a tabela de custos do Exército no trabalho de recuperação e construção de rodovias sejam utilizados como parâmetro para as obras contratadas na iniciativa privada, evitando assim o superfaturamento.

A possibilidade de exclusão de trechos da BR-101 da lista de cerca de sessenta obras suspensas pelo Ministério dos Transportes no última final de semana não foi comentada pelo porta-voz. No entanto, Singer admitiu que o assunto pode ter feito parte da audiência entre Lula e Adauto.

Reforma do Judiciário

Para evitar novo atraso na aprovação da Reforma do Judiciário, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves, propôs a votação do projeto que tramita no Senado de forma “fatiada”. A idéia é votar em bloco os pontos de consenso existentes entre os substitutivos da Câmara e do Senado, transformando esses itens, imediatamente, em lei. A informação é do STJ. A proposta de Naves foi apresentada ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante audiência no Palácio do Planalto. O objetivo da visita foi cumprimentar oficialmente o presidente da República, já que durante a solenidade de posse não houve espaço para os cumprimentos de todos os membros do Poder Judiciário.

O presidente da República achou interessante a proposta do STJ e também apoia a aceleração do processo de votação da Reforma do Judiciário. No encontro com o presidente da República, o ministro Nilson Naves mostrou que sua preocupação é com a possibilidade da reforma não ser votada: “Se o novo Congresso, que toma posse em fevereiro, decidir começar do zero vamos jogar fora 10 anos de discussões e eu temo que ficaremos sem a Reforma do Judiciário”, disse.

Itamar

Sob o argumento, dito a políticos próximos, de que a Itália está muito longe, o ex-presidente Itamar Franco reivindicou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cargo de embaixador do Brasil na Argentina. O pedido inicial era a embaixada em Roma ou em Lisboa. Os dois conversaram em audiência, almoçaram juntos e, segundo o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, chegaram a um acordo sobre o destino de Itamar. Nem Pimentel, nem Lula, nem Itamar revelaram qual. Mas não deverá ser a embaixada da Argentina. Falava-se até na embaixada de Cuba, se ele não quiser mesmo ir para Roma. “Não existe a menor hipótese. A embaixada da Argentina é um lugar estratégico por causa do Mercosul e exige um diplomata de carreira”, garantiu um importante interlocutor de Lula.

No encontro com o presidente, que classificou de muito bom, Itamar também levou uma série de outros pedidos para atender a amigos: a presidência de Furnas para o atual presidente da Cemig, Djalma Moraes; uma das diretorias de Furnas ou do BNDES para José Pedro Rodrigues, seu secretário de governo; e a indicação da procuradora-geral de Minas Gerais, Carmem Lúcia Antunes Rocha, para o STF.