Lula na cúpula da OIT
contra a fome e a pobreza.

Nova York – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou ontem logo cedo a posição do Brasil sobre a globalização numa reunião promovida pela Organização Internacional do Trabalho, na sede das Nações Unidas (ONU), ao dizer com todas as letras que as regras do sistema financeiro internacional “devem permitir aos países em desenvolvimento a necessária margem de autonomia para que construam suas infra-estruturas e apliquem políticas industriais e tecnológicas próprias”.

As nações em desenvolvimento precisam “tomar as rédeas da globalização”, afirmou o presidente, em seu primeiro discurso do dia, ao participar de um debate sobre a dimensão social do mundo globalizado. Lula criticou as cláusulas comerciais protecionistas dos países ricos e disse que “o sistema financeiro internacional deve contribuir para o crescimento da produção e a melhor distribuição de renda em nível mundial”.

Mas sublinhou o limite que seu governo tem procurado marcar em temas de integração econômica ao reafirmar a importância da preservação de um grau de autonomia que nações como o Brasil precisam ter em setores estratégicos: a construção da infra-estrutura, e a aplicação “de políticas industriais e tecnológicas próprias”. Essas posições estiveram no centro das divergências que o Brasil teve com os Estados Unidos na negociação do acordo para a criação da Área de Livre Comércio das Américas.

Lula começou o dia com um café da manhã com seu colega argentino, Nestor Kirchner, com quem discutiu as recentes dificuldades que a globalização coloca mesmo entre parceiros regionais como o Brasil e a Argentina, além de temas regionais. Teve também encontros bilaterais com os presidentes da França, Jacques Chirac, e da Finlândia, Tarja Halonen.

Durante a discussão sobre a dimensão social da globalização, que contou com a presença de Chirac, Halonen e do presidente da Tanzânia, Benjamim William Mkapa, Lula disse que “a suposta racionalidade da globalização não satisfaz os interesses das maiorias”. Ele afirmou também que é preciso “globalizar os valores da democracia, do desenvolvimento e da justiça social para dar resposta ao preocupante déficit de governança mundial”.

O presidente dos EUA, George W. Bush, não foi ao encontro. Enviou a ministra de Agricultura, Ann Venneman, que chamou de “antidemocrática e impossível” a proposta apresentada por Brasil, Chile, França e Espanha de criar uma espécie de CPMF internacional, com uma taxação de 0,01% sobre transações financeiras.