Foto: Domingos Tadeu/Agência Brasil

Lula e o ministro Celso Amorim detalharam a política externa brasileira aos embaixadores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante encontro no Palácio do Planalto com 70 embaixadores brasileiros, que não vai mudar os rumos da política externa terceiro-mundista. Ao contrário, recomendou que suas diretrizes sejam intensificadas ao longo de 2006. A agenda de viagens de Lula neste início de ano confirma tal prioridade: ele vai à Bolívia e à Venezuela neste mês – antes de passar pela Suíça – e fará no mês que vem mais um périplo pela África.

No encontro de ontem, a platéia era formada por diplomatas em serviço no Brasil e no exterior. Participaram os três auxiliares do presidente que elaboraram a atual política: o chanceler Celso Amorim, o secretário-geral das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, e o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. ?O presidente Lula reiterou que este ano é de eleição, mas que o governo vai continuar a ser governo, como tem de ser. Não só em questões internas, nos seus programas sociais, mas também no plano internacional?, relatou Amorim. ?A orientação é manter e intensificar (a política externa. Eu, pessoalmente, até acho difícil intensificar mais ainda. Só se eu não dormir mais?, completou, logo depois de ter recebido o ministro dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Alexander Downe.

A linha central da política externa do governo Lula está no estreitamento das relações do Brasil com outras economias em desenvolvimento e com as mais pobres – a chamada Cooperação Sul-Sul, idéia herdada do regime militar. Nesse contexto, a prioridade de Brasília foi concentrada no Mercosul – a partir do eixo Brasil-Argentina – e seguiu para a integração sul-americana. Paralelamente, estendeu-se para a África, continente o qual Lula já visitou três vezes, o restante da América Latina e o Oriente Médio.

Nessa política exterior, as relações com as economias mais desenvolvidas – Estados Unidos e União Européia, em especial – foram postas em uma espécie de ?piloto automático?, sem iniciativas mais consistentes de aproximação. Mas o presidente destacou que quer preservar seu diálogo com o presidente americano, George W. Bush, que o visitou no início de novembro em Brasília. A visita foi lida como um sinal de confiança de Washington na atuação do governo brasileiro na América do Sul – em especial, sobre os rumos políticos na Venezuela.

Cadeira

A quitação da dívida de US$ 135 milhões do Brasil com a Organização das Nações Unidas (ONU), decidida pelo presidente Lula na terça-feira, foi apresentada como uma decisão positiva do governo, com o cuidado de não vinculá-la à ambição de conquistar um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU. No Itamaraty, Amorim deixou claro que esse objetivo não morreu, mesmo com o fato de a proposta de reforma elaborada conjuntamente pelo Brasil, Alemanha, Japão e Índia nem ter sido submetida a votação nas Nações Unidas, em setembro passado, devido à certeza de desaprovação. ?Apesar de não ter havido uma solução em 2005, esse é um problema que ainda terá de ser enfrentado. Esperamos que seja neste ano. Se não for em 2006, que seja enfrentado em seguida?, afirmou.