São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a melhora da educação no País e do estímulo à leitura depende principalmente de ações governamentais. “A bola não está com ninguém, está conosco. Portanto, nós não temos de reclamar, não temos de pedir, temos de fazer”, afirmou, em seu discurso na abertura da 18.º Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O presidente da República voltou a criticar, dessa vez, indiretamente, o programa de progressão continuada, implementado em Estados como São Paulo, na administração Geraldo Alckmin. Lula lembrou que as estatísticas do governo indicam que 52% dos alunos matriculados na 5.ª série em todo o País, não sabem interpretar o texto que lêem, um “problema crônico” do Brasil, na visão do presidente.

Ainda ao comentar o baixo índice de leitura entre os brasileiros que, de acordo com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) está em 26 milhões de leitores ativos (com leitura individual de pelo menos três livros por ano), Lula fez uma ilação entre o despertar do interesse pela leitura entre as crianças e o desejo de adultos em praticar exercícios aeróbicos em uma esteira ergométrica. “Muita gente coloca até uma esteira no quarto, muitas vezes coloca até na beira da cama pensando: vou levantar e começar a andar na esteira. Mas todo dia levanta com uma preguiça desgramada e vai esticando para o dia seguinte. Isso é como um livro para uma criança, que não adquiriu no tempo certo o gosto pela leitura”, avaliou.