O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (30) que o governo está disposto a discutir a data em que entrará em vigor a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que condiciona a liberação de financiamento agrícola ao cumprimento de critérios ambientais. A expectativa é que a regra comece a valer no dia 1º de julho. Entretanto, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, sugeriu que os produtores tenham mais tempo para se adequar s regras da resolução.

Temos 30 dias para conversar. Eu não entendi a proposta do Blairo Maggi. Ele mandou uma carta para a ministra [ministra-chefe da Casa Civil] Dilma [Roussef], mas não vi a carta. Quando eu voltar (o presidente viaja para Roma neste fim de semana), vamos sentar eu, a Dilma, o Blairo e o Minc [ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc]. Eu não sei o que ele proprôs, mas qualquer coisa que seja proposta, nós temos uma margem de manobra de negociar, afirmou Lula em entrevista coletiva durante o 1º Fórum de Governadores da Amazônia.

Mais cedo, o ministro Carlos Minc garantiu que o governo não pretende voltar atrás na data de início do cumprimento da resolução do CMN.

Ao defender que é possível conciliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico, Lula afirmou que o Brasil não precisa derrubar nenhum pé de caatinga para plantar alguma coisa.

Para ele, é uma questão cultural entender que preservar a floresta e a água será uma vantagem comparativa para o Brasil no mercado agrícola internacional. Se a gente não tomar cuidado, daqui a pouco vai ter um movimento internacional para não comprar produtos do Brasil o que ia ser muito prejudicial."

O presidente afirmou ainda que vai discutir com o ministro do Meio Ambiente os detalhes do fundo internacional de preservação da Floresta Amazônica para que os doadores estrangeiros não se sintam donos da Amazônia. Senão, daqui a pouco, o cidadão dá 10 dólares e vai querer sair com um pé de mogno, disse.