Lula e o PMDB: ministério fica
para o ano que vem.

Brasília – Apesar de não garantir nenhum ministério este ano para o PMDB e para o PP (antigo PPB), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai usando os cargos disponíveis na máquina federal para conseguir fidelidade de políticos desses partidos e assim ampliar sua base de apoio.

Pelos acenos do governo, PMDB e PP (o antigo PPB) só terão representantes na Esplanada dos Ministérios no ano que vem. Mas, disposto a garantir maioria no Congresso para aprovação das reformas, o Palácio do Planalto se lançou numa ofensiva para a conquista dos parlamentares. A negociação com o PP, por exemplo, começou de baixo para cima. Antes mesmo de seu presidente, Pedro Corrêa (PE), anunciar a adesão à aliança de sustentação, os deputados do partido já estavam com afilhados na máquina do governo. Da mesma forma, o governo tem fincado seus tentáculos no PSDB e PFL, na tentativa de neutralizar uma oposição sistemática desses dois partidos.

O caso do PP é emblemático. Negociando com o chefe da Casa Civil desde o início do ano, o partido delegou ao líder, Pedro Henry (MT), e ao deputado José Janene (PR) a missão de recolher, na bancada, as reivindicações de cada parlamentar. “O ministro tem sido extremamente sincero. Diz: isso pode, isso não. Quando ele diz sim, ninguém contesta”, conta Corrêa. O deputado baiano Mário Negromonte (PP) foi um dos agraciados com um sim de Dirceu. Indicou Paulo Sérgio Rebouças Ferraro para a superintendência do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) responsável pela Bahia, por Minas e pelo Espírito Santo. “Indiquei e não vejo problema nisso. Estou preocupado com a política de desenvolvimento para a região. A maioria do PP quer apoiar o governo Lula e terá suas demandas atendidas. Estamos negociando com muita modéstia, mas, silentes, ajudando o governo no Congresso”, disse Negromonte.

O processo de negociação com o PP se reproduz país afora. Em Alagoas, um indicado político do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, acaba de dar lugar a um afilhado de Benedito de Lira (PP). No Pará, onde quase todos os cargos já foram loteados, o PT faz malabarismo para contemplar o deputado José Lima, que deverá indicar integrantes para a delegacia de Trabalho. Em Pernambuco, Severino Cavalcanti manteve a delegacia de Agricultura sob seu domínio. No Rio, a permanência de Pedro Cabral, um indicado do ex-ministro Francisco Dornelles, na delegacia de Agricultura tem provocado protestos no PT, que tem dois nomes para a vaga. “O PT defende outro nome para a delegacia. Gostaríamos de substituir os indicados em outros postos, como o INSS. Sabemos que, para governar, é necessária uma aliança. Mas nossa preocupação é não manter a mesma prática fisiológica”, diz o presidente regional do PT, Gilberto Palmares.

Tática atrai até tucanos e pefelistas

Brasília

– O governo federal tem adotado a estratégia de preservação de amigos até de tucanos e pefelistas no poder. E assim garantiu a permanência de dois amigos do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), em importantes postos do governo. Na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), Paulo Menecuti é diretor de Tecnologia. Ex-presidente de Furnas, Dimas Fabiano Toledo ficou na diretoria da central. Amigo do deputado Salvador Zimbaldi (SP), defensor da política de aproximação com o governo no PSDB, José Roberto Cury ocupa a diretoria de Furnas.

Segundo Paulo Kobayashi (PSDB-SP), em São Paulo os ministros do PT adotaram a estratégia de manutenção de integrantes do corpo técnico. “Os partidos aliados, não. O PL trocou todo mundo. Mas os petistas mantiveram muitos técnicos. Disso o PSDB não tem do que reclamar”, diz. Na tentativa de construir a base pelo alicerce, o governo também mira o PFL. Prestigiados, integrantes das bancadas baiana e maranhense são a resistência governista no PFL. Do grupo dos Sarney, o senador Édison Lobão tem um indicado diretor da Fundação dos Correios. César Bandeira (MA) indicou Evandro Bessa o Banco de Desenvolvimento da Amazônia.