Centenas de pessoas não se intimidaram
e foram ao enterro.

Rio – O corpo de Luciano Barbosa da Silva, o Lulu, chefe do tráfico na favela da Rocinha (zona sul do Rio), foi enterrado sob aplausos, no final da tarde de ontem, no cemitério São João Batista. Cerca de 400 pessoas acompanharam a cerimônia, segundo avaliação da Polícia Militar. Lulu e o comparsa Ronaldo Araújo Silva, 27, o Digão, foram mortos na quarta-feira, durante ação do Bope (Batalhão de Operações Especiais da PM) na Rocinha. Digão também foi enterrado no São João Batista.

Pessoas ligadas aos traficantes hostilizaram a imprensa e a polícia, que acompanhou o velório e o enterro à distância, em uma rua lateral. Segundo a corporação, cem homens foram deslocados para fazer a segurança do cemitério. Após o enterro, parentes e amigos dos mortos gritavam frases como “Lulu, pode esperar. Sua hora vai chegar”, que pode ser interpretada como uma ameaça de vingança pela morte do traficante.

A situação começou a ficar tensa por volta das 15h30, quando parentes e amigos dos mortos jogaram pedras na direção dos jornalistas. A polícia está em alerta por causa da morte do traficante. Existe a possibilidade de protesto de moradores da Rocinha. Também há o risco de tentativa de nova invasão na favela e ataque por parte de traficantes rivais. A disputa por pontos de venda de drogas começou na última sexta-feira, quando traficantes do vizinho morro do Vidigal – entre eles Eduíno de Araújo, o Dudu (antigo chefe do tráfico na Rocinha) – tentaram invadir a Rocinha. A polícia tenta capturar Dudu.

Assim que tomou conhecimento da morte de Lulu, o traficante Adriano da Costa Brito, o Zarur, convocou os principais gerentes da Rocinha para comunicar que estava assumindo o controle das bocas-de-fumo. Ele conta com Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-te-vi, como seu principal colaborador. Outro promovido para a cúpula da favela é o traficante Lion.

A principal preocupação hoje de Zarur é localizar os colaboradores de Dudu que ainda estão na Rocinha. Um deles é Silvinho, filho de Cy de Acari, que foi chefão do tráfico na década de 80. Segundo a polícia, Zarur ainda não decidiu se vai estreitar relações com as outras facções.