A família de um garoto de dois anos que passou três meses em um abrigo de Campinas (93 km de São Paulo) após sumir de casa conseguiu uma decisão favorável da Justiça. A criança já voltou para casa, mas terá acompanhamento judicial nos próximos meses.

Segundo a mãe do menino, Raquel Francisca dos Santos, 23, ele fugiu de casa no dia 5 de agosto sem que ninguém visse. Ela diz que achou que ele estava brincando e que correu para encontrá-lo assim que percebeu o sumiço.

O garoto foi encontrado na rua por um casal e levado até a delegacia. Foi encaminhado a um abrigo porque, para o Conselho Tutelar, a mãe demorou para buscá-lo.

Rachel afirma que, quando questionava quando conseguiria tirar o filho do abrigo, era informada de que precisava aguardar a visita de uma assistente social.

 

No último dia 14, no entanto, sem que a visita tivesse ocorrido, Raquel foi chamada para uma audiência na Vara da Infância e Juventude. No mesmo dia, teve autorização para levá-lo para casa.

 

“Da mesma forma que não me explicaram por que demorava tanto para fazer a tal visita, não me disseram por que ela não foi feita e mesmo assim a audiência aconteceu”, afirmou Raquel.

A assistente social Maria Lígia Rodrigues Alves, que atua na Vara, disse que a audiência foi marcada após a conclusão de um relatório elaborado a partir de conversas com a família no fórum, onde Raquel se encontrava com o filho a cada 15 dias.

Em setembro, o juiz Richard Pae Kim determinara a permanência no abrigo. Na decisão liminar, alegou que a mãe “não apresenta condições de cuidar do filho e o submete a situação de risco”.

A reportagem não teve acesso à nova decisão do juiz, nem conseguiu falar com ele.

Raquel, que está grávida e também é mãe de duas meninas de 5 e 8 anos, mora com os pais e uma irmã. “Agora estamos muito alegres e a família está completa de novo. Só de saber que vamos passar Natal com ele já é especial”, disse.