Pesquisa realizada com a população metropolitana do Rio de Janeiro mostrou que 84% dos 4.553 entrevistados se sentem bastante inseguros em bairros desconhecidos, noite. Durante o dia, o índice cai para 65%. Quando a pergunta foi sobre o bairro em que o entrevistado mora, 47% disseram se sentir muito seguros.

O maior medo de 57% dos entrevistados no bairro onde moram é ser vítima de bala perdida e 43% temem estar no meio de um tiroteio. Mas cerca de 80% disseram nunca ter gasto dinheiro com segurança.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio (ISP) para detectar os delitos sofridos pela população, nos últimos cinco anos.

Uma das constatações foi que, dos domicílios com vítimas, o delito mais comum citado foi o roubo, com 46% de vitimados, seguido de furto, com 30% de vítimas entre os entrevistados.

Segundo o professor da Universidade Cândido Mendes David Moraes, especialista em Análise de Crime e Medo e pesquisador do Instituto Data Brasil, o estudo confirma o senso comum de que o Rio de Janeiro é um lugar inseguro. Ele destaca que o medo da violência é cada vez maior na população carioca.

“Hoje esse medo é muito mais socializado entre todas as áreas da cidade. Não é só o pessoal residente nas áreas de baixa renda, mas também aqueles que moram na zona sul do Rio”.

Mais da metade dos entrevistados (56,1%) confia no trabalho da Polícia Militar e 36% confiam apenas em parte. O serviço da PM mais bem avaliado foi o de auxílio e socorro s pessoas e a organização do trânsito. Segundo o levantamento, 45,8% dos entrevistados classificaram como “bom” ou “ótimo” o atendimento policial em emergências.

Por outro lado, o serviço de distribuição de policiamento nos bairros foi avaliado como “ruim” ou “péssimo” para mais de 70%. Outro item considerado ruim ou péssimo para a maioria foi a investigação e punição de policiais com mau comportamento.

A pesquisa mostrou também que a população confia mais na Polícia Civil do que na Militar. Ainda assim, 42,9% dos entrevistados disseram não confiar no trabalho da Polícia Civil e 44% confiam parcialmente.

Segundo o estudo, nos últimos cinco anos, 9,7% dos entrevistados foram furtados ou sofreram algum tipo de tentativa de furto e apenas 23,6% fizeram o boletim de ocorrência.

De acordo com o professor David Moraes, muitas pessoas têm receio de se dirigir delegacia para fazer registro de delitos sofridos, o que faz com que os números das pesquisas fiquem abaixo da realidade. Para ele, as pessoas têm medo de retaliação.

O serviço Disque Denúncia foi o melhor avaliado pelos entrevistados: mais de 67% o consideraram “bom” ou “ótimo”. A central de emergência da Polícia Militar, que atende pelo número 190, foi outro item bem avaliado, 46% disseram que o serviço é “bom” ou “ótimo”.

O trabalho durou dois anos e meio e foi desenvolvido por cerca de 30 pesquisadores. A equipe percorreu mais de 75 mil domicílios para contabilizar as vítimas de violência urbana e traçar um perfil delas. A pesquisa servirá como uma espécie de teste para uma análise em âmbito nacional.

O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que tem a intenção de fazer a pesquisa anualmente a partir de 2009. Segundo ele, essa é uma iniciativa que não foi tomada por nenhuma outra secretaria do país e vai ajudar a nortear a ação da polícia.