São Paulo (AE) – A três semanas das eleições municipais de 3 de outubro, o quadro nas capitais aponta para um eleitorado dividido, que protela a decisão para o segundo turno.

Não se desenham vitórias no primeiro round em capitais expressivas para o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e para nenhum candidato do PSDB, a maior legenda de oposição.

Mantida a situação atual, nas 23 capitais em que concorrem com candidatos próprios, os petistas têm perspectivas de vitória, no dia 3, em apenas três. Em Aracaju (SE), com o prefeito e candidato à reeleição Marcelo Deda, o petista líder em intenção de voto no País, com 53%, segundo os últimos números do Ibope; em Palmas (TO), com Raul Lustosa Filho, e em Rio Branco (AC), com Raimundo Angelim. Nestas duas últimas capitais, por terem menos de 200 mil eleitores, não haverá segundo turno.

Pelas pesquisas do momento, o PSDB, maior adversário do PT em todo o País, não ganha nenhuma capital no primeiro turno, a menos que reverta drasticamente a conjuntura eleitoral nas próximas três semanas.

Politicamente, o desempenho que mais motiva os tucanos é a polarização com o PT no município de São Paulo, considerado emblemático para uma vitória tanto do governo quanto da oposição, pelas implicações na disputa presidencial de 2006. Na capital paulista, o embate entre o ex-ministro José Serra (PSDB), derrotado pelo PT nas eleições presidenciais de 2002, e a petista Marta Suplicy, candidata à reeleição, aponta para um disputado segundo turno.

Além do PT, três outros partidos têm possibilidades de liquidar a fatura neste primeiro turno, cada um numa capital – o PPS, com Tereza Jucá, em Boa Vista (RR), o PFL, com o ex-governador Amazonino Mendes, em Manaus (AM), e o PMDB, com Nelsinho Trad, em Campo Grande (MS).

Sem que possam cravar certezas, mas também com chances de ganhar no primeiro turno, há três outros partidos – o PSB, com Janete Capiberibe, em Macapá (AP) e Ricardo Coutinho, em João Pessoa (PB); o PDT, com Cícero Almeida, em Maceió (AL), e o PTB, com Duciomar Costa, em Belém (PA).

Se não tem vitórias projetadas no horizonte no primeiro turno, o PSDB é a legenda que poderá levar o maior número de candidatos à segunda rodada – possivelmente, até 11 concorrentes: Serra em São Paulo; Wilson Santos em Cuiabá (MT); Beto Richa em Curitiba (PR); Dário Berger em Florianópolis (SC); Antônio Cambraia em Fortaleza (CE); João Castelo em São Luís (MA); César Colnago em Vitória (ES); Luiz Almir em Natal (RN); Everton Leoni em Porto Velho (RO); Sílvio Mendes em Teresina (PI), e Ruy Carneiro em João Pessoa (PB).

O PT tem grande possibilidade de disputar o segundo turno em até cinco capitais. Pelo quadro atual, teriam lugar garantido na rodada final os prefeitos de São Paulo, Marta Suplicy, de Recife (PE), João Paulo, e de Belo Horizonte (MG), Eduardo Pimentel, além do ex-prefeito de Porto Alegre (RS) Raul Pont e do deputado Angelo Vanhoni, em Curitiba (PR).

Chances em apenas duas cidades

São Paulo (AE) – O PMDB teria garantidos dois candidatos no segundo turno – Íris Rezende, em Goiânia (GO), e Adalgisa Moraes, em Teresina (PI). Os números apontam boas chances de o PSB ir à segunda etapa do pleito com três de seus candidatos: João Leite, em Belo Horizonte(MG), Mauro Nazif, em Porto Velho (RO), e Carlos Eduardo Alves, em Natal (RN).

O PPS pode levar ao segundo turno dois candidatos: José Fogaça, em Porto Alegre (RS), e Sérgio Ricardo, em Cuiabá (MT). O PFL tem no prefeito do Rio, Cesar Maia, líder na disputa desde o início da campanha, a maior aposta de vitória no primeiro turno. Mas a soma da intenção de voto em Maia ainda não supera o total atribuído aos concorrentes.

Também do PFL, o ex-governador César Borges, agora candidato a prefeito de Salvador (BA), tem boas chances de ir para o segundo turno. O PP tem dois concorrentes encaminhados para chegar ao segundo turno, Sandes Júnior, em Goiânia (GO), e Nelton Baiano, em Vitória (ES).

As pesquisas indicam que o PDT tem o passaporte praticamente carimbado para o segundo turno com João Henrique Carneiro, em Salvador (BA), e o PC do B, com Inácio Arruda, em Fortaleza (CE). Aliado do governo, o PL não registra, até agora, nenhuma perspectiva de vitória no primeiro turno, mas, se houver segundo no Rio, o candidato do partido, o bispo senador Marcelo Crivella é o mais cotado para enfrentar Maia.