Ex-governador é suspeito até na França.

Paris –  O ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, de 71 anos, foi detido ontem em Paris ao tentar realizar uma movimentação financeira irregular em uma agência do banco Credit Agricole, na Champs Elysées. Ele pretendia transferir uma quantia de dinheiro superior ao permitido pela lei local. Maluf foi libertado horas depois, no final da tarde (hora local). 

Paulo Maluf foi posto em liberdade por instrução do juiz, que ouviu o ex-governador de São Paulo e alegou que não havia provas para prendê-lo. Maluf foi abordado por agentes da polícia fazendária e conduzido para a cidade de Nanterre, periferia da capital, para ser interrogado e ficou sob custódia. A rápida prisão de Paulo Maluf, folclórica figura da direita brasileira, foi resultado de uma ordem judicial francesa ligada a uma investigação sobre movimentação financeira. O escritório Leite, Tosto e Barros Advogados informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que foi contratado um escritório de advocacia na França para tratar do caso. A expectativa era de que Maluf, que é cliente de Ricardo Tosto há dois anos, volte a ser ouvido por um juiz de instrução, em Paris, hoje. O político, segundo revelou a polícia francesa, passou a tarde dando depoimento.

O advogado disse que o dinheiro da conta veio da venda de um terreno com 14 mil m2, que era da família há 65 anos na família, e foi herdado por ele (Paulo Maluf). Ele ainda disse que Maluf foi na segunda-feira ao banco para dar explicações sobre suas movimentações financeiras.

O chefe da Divisão Fazendária da Polícia Federal, delegado Paulo Ornellas, determinou que se apure as circunstâncias da detenção do ex-governador. O ministro da Justiça, Thomaz Bastos, e o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, tomaram conhecimento da informação e pediram que fossem levantados os dados. O Itamaraty aguarda notificação da Embaixada brasileira para se pronunciar sobre o assunto.

Paulo Maluf tem conta em um banco francês na qual foi feito um depósito de cerca de US$ 1,46 milhão (ou cerca de R$ 4,3 milhões) em abril deste ano. Além disso, o Ministério Público do Estado de São Paulo e a Procuradoria da República em São Paulo investigam a existência de movimentações financeiras de Maluf nas ilhas Jersey, na Suíça e nos EUA.

Ao ser perguntado em entrevista, se havia sido detido por policiais para prestar depoimento, Maluf se esquivou: “Isto é um certo exagero”, disse. “Tanto que espontaneamente dei as informações e estou aqui de volta ao hotel”, completou. Segundo o ex-governador, “não há nada. A conta é pública?, disse. Maluf está hospedado no Hotel Plaza Athénée, na famosa avenida Montaigne, uma das mais privilegiadas da cidade, a poucos passos do Champs Elisées. A diária do quarto mais barato custa R$ 1.650,00. E a mais cara, R$ 20.050.

Esquema de lavagem de dinheiro

Brasília

– O deputado Moroni Torgan (PFL-CE), delegado policial licenciado e integrante da CPI do Banestado, que apura remessa supostamente ilegal de recursos para o Exterior através das contas CC5, disse ontem acreditar que a detenção do ex-governador Paulo Maluf, em Paris, tem ligação com um esquema de lavagem de dinheiro. “Temos denúncias no sentido de que o esquema de lavagem de dinheiro estaria ligado a ex-secretários estaduais de São Paulo da época de Paulo Maluf”, afirmou o deputado.

A prisão de Maluf, entretanto, pode ter sido o resultado de uma estreita colaboração entre as polícias financeiras da Suíça e de Paris. Em Genebra, o juiz Claude Wenger admitiu que possui um “amplo” dossiê sobre as contas que o ex-prefeito manteve no país até 1997 e investigadores revelam que informações obtidas pelo Ministério da Justiça suíço apontavam que representantes de Maluf teriam mantido contatos, na França, para gerenciar sua fortuna depositada em Genebra. A movimentação teria incentivado as polícias dos dois países a estabelecerem uma cooperação informal sobre o eventual suspeito.