Santarém (Pará) – O ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, destacou nesta quarta-feira (16) a relação entre a elaboração do Plano Estratégico Nacional de Defesa e sua proposta para promover o desenvolvimento econômico da Amazônia. Mangabeira coordena o grupo interministerial responsável pela elaboraração do plano, que deve ser apresentado até setembro deste ano.

?Há uma relação recíproca entre as políticas de Defesa e de Desenvolvimento Econômico. Temos consciência de que a reafirmação de nossa soberania na Amazônia nunca será sólida se não estiver assentada em estratégias produtivas consistentes. O problema agora é darmos um sentido prático a esse compromisso?, afirmou Mangabeira, ao chegar nesta manhã a Santarém, segundo destino da viagem iniciada ontem (15) pela comitiva liderada pelo ministro.

Mangabeira reiterou que o governo está comprometido com a ?reafirmação inequívoca da soberania brasileira na Amazônia?. A região, segundo ele, além de despertar a atenção e a pressão mundial, deve ser encarada como um laboratório para que o país desenvolva estratégias inéditas de desenvolvimento.

O ministro aproveitou as perguntas sobre as obras da Rodovia Santarém-Cuiabá, importante via de distribuição da produção de grãos da Região Centro-Oeste para a Norte, para explicar porque defende que, longe de ser um problema, a Amazônia pode se constituir na vanguarda nacional.

?Temos, no Brasil, um sistema baseado em transporte rodoviário. Aqui, no entanto, temos a oportunidade e a necessidade de inovar, combinando transporte rodoviário, ferroviário e hidroviário. Isso é algo que aqui tem de ser feito e que serve de modelo para todo o país.? A inovação local, diz o ministro, poderá servir de exemplo para todo o país.

Segundo Mangabeira, a proposta de um grande zoneamento econômico e ecológico deve nortear o debate com autoridades e representantes do setor produtivo e de organizações sociais do Pará e do Amazonas. ?Zoneamento econômico e ecológico é simplesmente uma maneira de decidir o que pode e deve ser produzido e onde. Não se confunde com a pretensão de planejar atividades produtivas determinadas e de designá-las como adequadas ou inadequadas para certas regiões?, afirma o ministro em texto distribuído aos participantes das reuniões de trabalho realizadas durante a viagem.

A principal proposta de Mangabeira é a defesa de estratégias econômicas distintas para áreas em diferentes estágios de conservação. "Na Amazônia já desmatada, grande parte dela na fronteira oriental e meridional da selva, a melhor solução não é tentar reverter o desmatamento e restringir às cidades toda a atividade não-florestal. A solução é aproveitar esse espaço para inovar, construindo na agricultura, na pequena indústria e nos serviços, um modelo econômico que não repita os erros do passado.?

Para as áreas ainda com mata, o ministro defende o aproveitamento tecnológico da biodiversidade regional, como na indústria farmacêutica, e a utilização do potencial energético obtido das árvores, com a utilização da celulose e da lignina.

Ao defender a possibilidade de desenvolvimento econômico com justiça social, a prefeita de Santarém, Maria do Carmo Martins Lima pediu mais investimentos nos estados da Amazônia como forma de minimizar as diferenças regionais. ?Queremos saber o que fazer com a floresta que ainda temos, como ganhar dinheiro mantendo a mata e como usar as áreas degradadas. Quem quer manter a Amazônia do jeito que está tem de financiar isso. Manter esse projeto é caro. Sabemos o que fazer, mas precisamos de dinheiro.?