Familiares e pacientes com câncer fizeram um ato neste domingo, 29, em São Carlos, interior de São Paulo, para cobrar rapidez na produção e distribuição da fosfoetanolamina sintética, também conhecida como ‘pílula do câncer’. O grupo, com 60 pessoas, se dirigiu à frente do Instituto de Química, no campus da Universidade de São Paulo (USP), com faixas e cartazes.

Um carro de som relatava depoimentos de pacientes que tomaram a substância. Os manifestantes se deitaram no asfalto, na avenida em frente ao instituto, para homenagear as pessoas que morreram com a doença. Entre os presentes, estavam pacientes que já obtiveram liminares da Justiça para obter a substância, mas ainda não receberam as cápsulas. Um protesto semelhante foi realizado em Rio Claro, cidade vizinha.

A fosfoetanolamina sintética foi desenvolvida por pesquisadores da USP e vinha sendo usada para combater o câncer, mas não passou por testes clínicos e não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Justiça suspendeu a distribuição por considerar que os efeitos nos pacientes são desconhecidos.

Na sexta-feira, 27, o governador Geraldo Alckmin se reuniu com o ministro da Saúde, Marcelo Castro, para debater o uso da fosfoetanolamina em pacientes com câncer. O governador entregou ao ministro ofício solicitando seja liberado o uso compassivo da substância, conforme prevê a legislação no caso de medicamentos ainda não aprovados. O governo paulista pretende dar sequência aos testes com a substância em hospitais da rede pública estadual.