Brasília – O governo federal está programando um cerco gigantesco na fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu, para pôr fim à pirataria e ao contrabando de mercadorias. As medidas, que começam em abril, incluem barreiras em tempo integral na Ponte da Amizade e nos pontos de travessia ao longo de vários quilômetros do Rio Iguaçu, uma devassa para afastar policiais e fiscais corrompidos na área e ações de inteligência para destruir as máfias que dominam o suprimento e circulação de mercadorias contrabandeadas.

A ofensiva foi definida em reunião, esta semana, entre o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, o secretário da Receita, Jorge Rachid, e o presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual, do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto. ?Acabou a era do romantismo na pirataria. O combate será sistemático e implacável?, disse Barreto. Para evitar conflito diplomático, o Brasil vai comunicar sua decisão ao governo paraguaio, ao qual pedirá compreensão e parceria nas operações.

O contrabando de produtos, muitos deles pirateados (reproduzidos sem permissão do detentor da patente), é a principal atividade econômica de Ciudad del Este, do lado paraguaio da fronteira. O problema existe há décadas, mas avolumou-se a tal ponto nos últimos anos que se tornou uma preocupação de segurança nacional. Além dos danos crescentes à economia, o contrabando atraiu para a região máfias poderosas de pirataria, sobretudo asiáticas, algumas ligadas ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro. A ofensiva de fronteira integra o conjunto de cem ações de combate à pirataria que o governo federal vai anunciar no próximo dia 17. O cerco em Foz do Iguaçu terá duração prolongada e envolverá membros da Receita e das polícias Federal e Rodoviária. Estão previstas ações por terra, água e ar. Barcos com equipamentos sofisticados já estão sendo usados em treinamento para as operações.

O mesmo aparato repressor será montado a seguir em outras portas de entrada do contrabando no Brasil, como os portos de Santos e Paranaguá, a divisa de Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) com Pedro Juan Caballero (Paraguai) e também na fronteira com o Uruguai, na altura do Arroio Chuí, que nos últimos anos virou rota da pirataria.