Órfã de pai e mãe, analfabeta, viciada em cocaína, a adolescente de 14 anos detida na noite de sexta-feira confessou participação no incêndio do ônibus da linha 350 (Passeio-    Irajá), identificou todos os outro sete envolvidos no crime e contou que a ordem do traficante Lorde foi ?botar fogo no ônibus e não deixar ninguém sair?. Segundo ela, na reunião para planejar a tragédia, que deixou cinco mortos e 14 feridos, o grupo já estava com galões de gasolina e foi orientado a atacar, de forma aleatória, o primeiro ônibus que passasse pelo local. ?Ela disse que eles receberam ordem para não deixar ninguém sair. E que seria um novo tipo de protesto?, contou a chefe do Setor de Investigações da Delegacia de Represssão a Entorpecentes (DRE), Marina Magessi. Meia hora depois, porém, a inspetora disse que o incêndio não configuraria uma nova estratégia do tráfico. ?Ele (Lorde) mandou matar porque estava com vontade de matar?, afirmou, acrescentando que o depoimento da adolescente, que durou quase três horas, deu ?uma injeção nas investigações?, já que os dados repassados por ela coincidem com versões de passageiros.

Segundo Magessi, a garota contou que participaram do crime Lorde e a namorada, os quatro traficantes encontrados mortos ontem e um outro identificado apenas como Da Lua. Este permanece foragido, assim como o casal. O incêndio teria sido cometido para vingar a morte de outro integrante da quadrilha, em confronto com a polícia. ?Ela falou que foi vingança?, declarou a inspetora, ressaltando que a adolescente nada disse sobre uma suposta extorsão de PMs, outra versão dada para o crime.

Magessi, assim como o titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Alessandro Thiers, para onde a garota foi levada, contaram que ela não demonstrou qualquer arrependimento em relação ao incêndio ao ônibus. ?Ela estava completamente indiferente. Já seus parentes ficaram revoltados e surpresos com a participação dela?, disse o delegado, contando que a menina, que fez sinal para o ônibus parar, mora com a avó e trabalha para o tráfico há nove meses.

Já a inspetora contou que foi ouvi-la esperando encontrar ?uma bandida, uma desgraçada?, mas encontrou ?uma pessoa sem nada na cabeça, viciada, controlada por um facínora?.