Com a recente média alcançada de cerca de 10 mil doutores formados por ano, o Brasil ainda não conseguiu levar esses profissionais para dentro das empresas, mantendo a maior parte na academia. Estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que apenas 1,9% dos 26 mil doutores empregados está na indústria, enquanto 66% permaneciam na universidade. Outros 18% estão empregados no setor público.

O trabalho usou como base a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) – que concentra o cadastro de pessoas empregadas no País – e dados do ano passado. “Nosso sistema de formação acadêmica já foi estruturado para abastecer o ensino superior. E essa cultura de formação para a universidade se mantém”, afirma um dos autores do trabalho, Divonzir Gusso. “No próprio sistema de avaliação da pós-graduação o que menos conta é a produção técnica. Se um professor publicou dois artigos no exterior e produziu cinco patentes, o que vale são os artigos”, completa ele.

A partir de 2004 a produção de artigos passou a ter o mesmo peso do registro de patentes na avaliação dos mestrados e doutorados feita pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes). “Esse foi um problema que detectamos e a avaliação foi mudada”, diz o presidente da Capes, Jorge Guimarães.

Ainda assim, o próprio governo brasileiro valoriza e faz propaganda da colocação do País no ranking internacional de artigos – estava na 13ª posição no ano passado, com 2,12% da produção internacional. No entanto, no ranking de registro de patentes, que representa a inovação de produtos e processos, o Brasil estava em 24º lugar em 2007 (dado mais recente), com apenas 384 patentes registradas de origem nacional. O estudo não considerou 15,5 mil doutores formados entre 1996 e 2003 que não foram encontrados na Rais. Como o levantamento reúne praticamente todo o setor privado, o mais provável é que estejam na área pública.