A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio (MP-RJ) consideram "difícil" a apuração das 19 mortes na operação policial do dia 27 no Complexo do Alemão (zona norte). Nenhuma testemunha foi ouvida, não foi realizado exame de resíduos de pólvora mãos dos mortos e a perícia no local dos confrontos é considerada improvável por promotores e pelo delegado-titular da 22ª Delegacia de Polícia, Alcides Iantorno, porque "os marginais não permitem".

"Para chegar lá a polícia tem que subir com mil homens", reconheceu o delegado. Mesmo com as dificuldades nas investigações, Iantorno nega que tenham ocorrido execuções como relataram alguns moradores à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa.

"Essa palavra para mim não existe. O que houve foi um grande combate. Policiais apreenderam armas, prenderam traficantes e outros criminosos morreram ", afirmou o delegado. Nesta terça-feira (10), ele recebeu promotores do MP-RJ, que tiveram acesso aos inquéritos que apuram as mortes nas operações policiais. Eles querem apurar as mais de 40 mortes nas operações policiais iniciadas no dia 2 de maio, sendo 19 delas na operação policial do dia 27 de junho. Hoje, um homem ainda não identificado morreu em confronto com a polícia na Favela da Fazendinha. O 16ºBPM informou que foram aprendidos com ele uma pistola, morteiros e um rádio-transmissor.

O delegado informou que nenhuma testemunha foi ouvida até agora. Os únicos que prestaram depoimento foram os familiares de duas vítimas de balas perdidas. Compareceram à delegacia os parentes do engenheiro Aílton Lopes Moreira, morto em um posto de gasolina a 2 km do Morro da Fé de onde teria partido o tiro de fuzil que o atingiu no peito, e a dona de casa Maria Auxiliadora Gomes, assassinada com um tiro no abdômen por uma bala perdida que teria sido disparada do alto do Morro da Caixa D’água, a 1,5 km da rua onde ela estava.

"Os familiares dos mortos em confronto com a polícia não apareceram. Estas pessoas são reféns dos traficantes. Se eles aparecem aqui, os traficantes podem fazer uma maldade com eles", declarou o delegado. Iantorno disse que o exame de resíduos de pólvora nas mãos dos mortos, que apura se houve uso de arma de fogo pela vítima, não foi feito porque os corpos seguiram direto para o Instituto Médico Legal. "Os corpos passaram por uma assepsia, foram lavados e as provas foram desfeitas", resumiu.