A segunda fase da Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite acontece neste sábado (25) em 92,1 mil postos no País, entre 8h e 17h, no horário de Brasília. O ministério da Saúde pretende imunizar cerca de 16,3 milhões de crianças menores de cinco anos ou 95% do total da população nessa faixa etária. Até mesmo as crianças que foram vacinadas na primeira fase da campanha, em 16 de junho, e aquelas que estão com a carteira vacinação completa devem tomar a vacina.

Apesar de a doença estar erradicada no País desde 1989, a campanha é fundamental para impedir a volta do vírus. As crianças que estejam doentes também devem comparecer aos postos de vacinação. A única restrição é para aquelas que estejam passando por tratamento de radioterapia ou quimioterapia. É importante levar a carteira de vacinação da criança, porque outras vacinas estarão disponíveis, como a tetravalente – difteria, tétano, coqueluche e infecções por hemófilo -, tríplice viral – sarampo, rubéola e caxumba -, rotavírus e hepatite B.

Na primeira campanha deste ano, cerca de 93% das crianças do País foram imunizadas, índice um pouco abaixo da meta (95%). De acordo com Helena Sato, coordenadora de Imunização da secretaria de Saúde de São Paulo, o fato de o objetivo não ter sido atingido não é uma temeridade. "Indica apenas que temos que melhorar a cobertura em alguns lugares. Não é um risco, mas serve de alerta", afirma. No Estado de São Paulo, a cobertura foi de 96%.

Doença

A poliomielite, também conhecida por paralisia infantil, é causada por três tipos diferentes de vírus. O único modo de combater a doença é por meio da vacina. No Brasil, é utilizada a Sabin, aplicada por meio de gotas. A dificuldade de combater a doença está no modo silencioso como age: 90% dos infectados não apresentam sintomas, 4% podem ter meningite viral e apenas 1% apresenta a paralisia propriamente dita, que surge de maneira abrupta e atinge principalmente as pernas. Os danos são irreversíveis.

A última ocorrência de poliomielite no Brasil foi registrada em 1989, na cidade de Souza, na Paraíba, nove anos após a implementação da campanha de vacinação em nível nacional. A adoção dessa estratégia de imunização foi motivada pelo pânico criado pela doença na década de 70, quando eram registrados de mil a 1,5 mil casos por ano no Brasil. O País foi o primeiro na América Latina a erradicar a enfermidade, que está totalmente ausente do continente americano desde 1991. O vírus desapareceu dos países da região do Pacífico Ocidental em 2000 e da Europa apenas em 2002.

Ásia e África

Entretanto, ainda está ativo no Afeganistão, Paquistão, Índia e Nigéria. Com isso, Ásia e África ainda são locais de risco. No ano passado, ocorreram dois mil casos de poliomielite nesses continentes. Este é o motivo pelo qual as crianças brasileiras ainda precisam ser vacinadas. "Podemos ter problemas se pessoas infectadas vierem ao Brasil e transmitirem o vírus para alguém que não está protegido", alerta Helena Sato.

Investimento

Para essa fase, foram distribuídos 27 milhões de doses da vacina contra poliomielite. O ministério da Saúde informa ter investido R$ 14 milhões nessas aquisições, além de ter repassado R$ 6,3 milhões aos Estados para operacionalizar a vacinação. No Estado de São Paulo, a campanha contará com 20 mil postos de saúde, que receberam 4,7 milhões de doses da vacina. A expectativa é imunizar 3 milhões de crianças.