"São falsas as acusações apresentadas por esta Soraya, de que houve caixa 2 em Londrina. São infâmias e caluniosas as acusações." Assim o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo (PT), se referiu ontem às acusações feitas por Soraya Garcia, ex-assessora do partido, de que houve caixa dois na campanha do prefeito Nedson Micheleti (PT) à reeleição.

"Não conheço essa pessoa e nunca conversei com ela. Nem sei o papel que ela desempenhava na campanha", insistiu o ministro. Ele disse que alguém da oposição à administração municipal deve ter articulado a denúncia para se aproveitar da onda de boatos de corrupção contra o governo federal e governos municipais do PT.

Bernardo disse que o País vive uma crise de grandes proporções em uma clara inversão de valores. "Fui secretário municipal de Fazenda durante o primeiro mandato do prefeito Nedson. Coloquei as contas em dias. Assinei cheques. Exerci o cargo com dignidade, como sempre fiz na minha vida política. A cidade nunca me viu metido em qualquer situação que me incriminasse. Agora uma pessoa vem e joga uma acusação mentirosa e – de uma hora para outra – eu é que tenho de provar a minha honestidade", criticou o ministro. As denúncias de Soraya Garcia estão sendo investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

Denúncias

Por conta das denúncias, a Polícia Federal de Londrina fez 22 mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Eleitoral do município em empresas que prestaram serviços ao Partido dos Trabalhadores nas últimas eleições. A PF foi em busca de documentos – notas fiscais, contratos e recibos – que poderiam comprovar as acusações da ex-colaboradora de campanha. Uma das vistoriadas no início da operação foi uma produtora de vídeo. Segundo Soraya Garcia, o PT teria gasto R$ 1 milhão na produção de programas de televisão para a campanha de Micheleti, apesar de declarar à Justiça Eleitoral apenas R$ 300 mil.