Após se reunir com integrantes da Comissão da Verdade, o ministro Celso Amorim (Defesa) afirmou hoje que vai abrir os documentos das Forças Armadas para auxiliar os trabalhos do grupo.

Instalada no mês passado, a comissão investigará violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, com foco prioritário na última ditadura, entre 1964 e 1985.

“Tudo estará aberto”, disse Amorim ao sair da reunião, referindo-se aos arquivos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. É grande a expectativa de historiadores e de estudiosos da ditadura sobre os papéis que por ventura estejam guardados nas Forças Armadas.

Militares negam a existência de documentos sobre o período, mas recentes revelações mostraram o contrário. Documentos liberados recentemente pelo Cisa (órgão de inteligência da Aeronáutica) trouxeram revelações sobre a atuação dos militares na ditadura.

Espera-se o mesmo de documentos do Cenimar (inteligência da Marinha) e principalmente do CIE (inteligência do Exército), órgão que teve papel fundamental na repressão de Estado entre 64 e 85.
“Vim reiterar o desejo e a disposição do Ministério da Defesa em colaborar e cooperar integralmente com os trabalhos da Comissão da Verdade”, ressaltou Amorim. “Vamos facilitar todas as informações solicitadas.”

A lei que criou a comissão, em novembro do ano passado, prevê que o grupo tenha acesso facilitado aos arquivos guardados em instituições públicas. O Arquivo Nacional, ligado ao Ministério da Justiça, já elaborou um dossiê com informações que serão utilizadas pelos sete integrantes da comissão.

A Comissão da Verdade começa seus trabalhos levantando informações sobre os desaparecidos políticos. Ao fim de dois anos de trabalho, o grupo deverá apresentar um relatório sobre as investigações.