O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, considerou nesta sexta-feira que houve “excesso” e “abuso” por parte de alguns policiais que entraram em confronto nesta quinta-feira, 13, com manifestantes em São Paulo. O quarto ato em uma semana contra o aumento da passagem de ônibus desencadeou uma série de ações por parte dos policiais que recorreram, entre outros artefatos, a bombas de gás lacrimogêneo e tiros com balas de borracha que atingiram moradores, pedestres e passageiros de ônibus na Consolação, no centro da capital paulista.

“No início da noite de ontem (13), nós tivemos uma situação que, evidentemente, não podemos aceitar. Para mim, do que vi de imagens, do que recebi de informações, houve sim situações de violência policial que considero também inaceitável. Não me parece correto que a polícia pudesse atingir pessoas como as imagens e os noticiários mostram hoje (13)”, disse, em Brasília.

“Não podemos aceitar a violência, não importa da onde ela parta. Não importa se ela vem de manifestantes que excedem os limites de manifestação e como também não importa se vem da autoridade policial”, acrescentou. Apesar das críticas da atuação dos policiais, Cardozo “congratulou” a abertura de uma investigação por parte do governo de São Paulo para apurar a atuação dos militares.

Ele pontuou, entretanto, que o governo federal não pode intervir, uma vez que o acontecimento desta quinta-feira diz respeito apenas à competência estadual. De acordo com Cardozo, há, no entanto, um acompanhamento dos fatos de segurança pública. O ministro da Justiça também evitou polemizar sobre os argumentos do comando da Polícia Militar (PM), que atribuiu os confrontos no protesto contra o aumento da tarifa de transporte coletivo a um suposto descumprimento de um acordo feito com os manifestantes.

O coronel responsável pela operação, Reinaldo Rossi, afirmou que o trajeto combinado começaria na Praça Ramos de Azevedo, passaria pela Praça da República e terminaria na Praça Roosevelt. A confusão começou quando os manifestantes anunciaram que subiriam a Rua da Consolação. “Espero que, se comprovados os fatos, se caracterizada uma violência sem justificativa, o que à primeira vista parece que houve, que os responsáveis sejam punidos”, afirmou Cardozo.