A Secretaria da Saúde de Goiás confirmou ontem a suspeita de que um homem tenha morrido no Estado em razão do uso indevido da vacina contra febre amarela, informou o secretário estadual da Saúde, Cairo de Freitas. No fim da noite, durante evento em São Paulo, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, reconheceu que sua pasta publicou um mapa com áreas em que a imunização é recomendada que induziu a população a erros, mas não mencionou a suspeita existente no Estado.

?Aquele mapa está sendo substituído por um mapa muito mais adequado, que mostra claramente as áreas de risco. No começo, o mapa induziu a erro, é verdade, tanto é que nós mudamos para que haja uma visão muito clara das pessoas, por isso nós aperfeiçoamos?, disse Temporão. O ministro vinha afirmando nos últimos dias que a imprensa contribuiu para que pessoas se vacinassem indevidamente. Ele recomendou que as pessoas liguem para o Disque Saúde (0800- 611997), antes de viajar, para saber se a vacina é recomendável na área para a qual estão se dirigindo.

No primeiro mapa divulgado pela pasta, a vacinação para viajantes era recomendável para a maior parte do Brasil, incluindo áreas urbanas, exceto para grande parte da costa do País. Segundo o novo mapa, a imunização é só para quem se dirige para alguns pontos específicos. O ministério também passou a recomendar que, antes da vacinação, os serviços de saúde questionem se o paciente vai para regiões de risco, e também que as secretarias de saúde restrinjam os locais de imunização. A vacina vale por dez anos e não deve ser repetida antes disso.

Suspeita

Um vigilante da Universidade Federal de Goiás que morreu no dia 30 de dezembro chegou a ser incluído na vítimas da febre amarela silvestre, mas as novas suspeitas levaram o Estado a rever a informação. A secretaria verificou que o homem sofria de hepatite B, já tinha danos no fígado e combatia uma infecção com antibióticos. A vacina, feita com vírus vivo e atenuado da febre amarela, é contra-indicada para pessoas com problemas no sistema imunológico. Uma equipe de especialistas está investigando o caso.

Até ontem, o Ministério da Saúde confirmava apenas 31 casos de reação à vacina, um deles grave – a vítima continua internada em UTI – e não computava a suspeita de Goiás. O número confirmado é maior do que o total de casos de febre amarela confirmados no País neste ano, 19, com 10 mortos.