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Aldo: Lula precisa de governo de coalizão.

Brasília – O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, deixou sua habitual moderação e reagiu à tentativa do PT de tomar seu ministério. Aldo disse que o PT já tem 19 ministérios, mas se o partido considera que tem pouco espaço no governo, que reivindique.

Rebelo frisou, no entanto, que isso não vai resolver os problemas da coordenação política do governo. O ministro disse ainda que não criará obstáculos para mudanças no comando da pasta se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entender que isso é necessário. "Sempre procurei deixar o presidente Lula à vontade para fazer qualquer mudança na coordenação política, inclusive com a presença do PT. Nunca fui, não sou, nem serei obstáculo a que se promova uma reformulação na coordenação política. Acho, porém, que essa é uma decisão do presidente Lula", afirmou.

Aldo lembrou que Lula precisa de um governo de coalizão porque, apesar de o PT ser a maior bancada na Câmara e uma das maiores no Senado, os votos do partido não são suficientes para garantir maioria e por isso o governo precisa de votos dos partidos aliados. Segundo ele, sem um governo de coalizão não é possível aprovar matérias importantes no Congresso. O ministro também respondeu ao ministro da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken, que nesta terça-feira defendeu a transferência da coordenação política para o PT. Segundo Aldo, a declaração de Gushiken é no mínimo exótica.

"A colocação do ministro Gushiken é legítima, ele é um dirigente do partido, o partido acha que pode ocupar a função, mas alguém pode dizer que é um comentário exótico porque é um ministro comentando sobre a função de outro. De qualquer jeito, eu respeito", disse Aldo.

Ao reagir à tentativa do PT de assumir o controle do Ministério da Coordenação Política, Aldo Rebelo disse que, além de reivindicar, o PT precisa aprender a ceder espaço para os partidos aliados. Segundo ele, dividir o ministério com a base aliada é fundamental para garantir a sustentação política de um governo num país como Brasil.

"Eu penso de outra forma. Não é mais um ministério para o PT que vai resolver o problema da base aliada. Ao contrário, o PT precisa ceder espaço para os aliados. O governo precisa de sustentação, combinando naturalmente a base heterogênea, porque não se tem outra forma de governar um país como o Brasil, dentro da convivência democrática, que não seja o de buscar apoio da base", afirmou.

Mais críticas

O líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS), também admitiu ontem que os recentes obstáculos enfrentados pelo governo federal no Congresso foram provocados pela própria administração federal e pelo partido. Segundo Amaral, porém, as questões internas que resultaram em derrotas no Legislativo serviram como lição para o Poder Executivo federal reduzir essas dificuldades.

Em defesa do trabalho de Rebelo, Amaral ressaltou, no entanto, que, para Rebelo obter sucesso nas negociações políticas, seria necessário que contasse com instrumentos que não seriam dados.

PCdoB compra briga em defesa de Aldo

Brasília – O PCdoB decidiu comprar a briga com o PT sobre a situação do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. O presidente do partido, Renato Rabelo, disse que o PT utiliza métodos desleais com seus aliados, referindo-se às declarações do ministro da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken, e do líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA), que pediram mudanças na coordenação política.

"Chegamos à conclusão que o PT não tem respeito com o presidente da República. Na reforma ministerial, eles usaram métodos subterrâneos. O Genoino (José Genoino, presidente do PT) dizia que a demissão não era posição do PT, mas o partido trabalhava para isso por baixo do pano. Agora eles passaram aos métodos desleais com esta posição sendo defendida publicamente. Isso não constrói e nem ajuda a melhorar as coisas", afirmou. Rabelo disse ainda que dificuldades políticas sempre existem nos governos e ironizou o PT: "Quer dizer então que a forma de resolver os problemas é com mais PT? Temos um problema, vamos botar alguém do PT para resolver, temos outro problema, vamos botar outro do PT para resolver?".

O líder do governo, Paulo Rocha, respondeu que o partido defende mudanças na coordenação política porque está claro que há problemas.