Em seu primeiro dia, a greve dos fiscais federais agropecuários, que começou ontem, deixou 940 toneladas de produtos retidos nas aduanas do Rio Grande do Sul, num valor estimado em US$ 1,3 milhão, conforme levantamento da categoria. O balanço parcial dos produtos que aguardam liberação para entrar ou sair do País pelo Estado será atualizado no final da tarde desta quarta-feira (25).

A adesão é total no Rio Grande do Sul, mas a categoria mantém o número exigido de 30% do contingente em atividade, informou o presidente da Associação dos Fiscais Federais Agropecuários, José Luiz Castilhos. A paralisação foi programada por tempo determinado, até sábado. O dirigente lembrou que os fiscais agropecuários foram enquadrados pelo governo na categoria de função estratégica, a exemplo de outros quatro cargos de atribuição semelhante, mas não contam com a mesma remuneração.

Por causa da paralisação anunciada, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) enviou um pedido ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para adoção do chamado "canal verde" nas aduanas, o que permitiria a liberação de mercadorias sem inspeção. Como o Estado tem perfil exportador, com vendas de US$ 6,4 bilhões no primeiro semestre, greves ou atrasos na liberação de mercadorias geram prejuízos às empresas, argumentou a entidade.

Na greve mais recente da categoria, em junho, cerca de 1.200 toneladas de mercadorias deixaram de ser embarcadas no porto de Rio Grande, incluindo carnes bovina, suína e de frango, provocando perda de US$ 99 milhões, segundo cálculo da Fiergs. Em Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai, o prejuízo somou US$ 70,5 milhões.

Um dos principais pontos de acúmulo de mercadorias é Uruguaiana, na fronteira com a Argentina. Segundo Castilhos, diariamente mais de cem caminhões chegam à aduana, tanto para ingressar com mercadorias no Brasil quanto para deixar o País com produtos para exportação.

Cautela

Em Brasília, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, pediu hoje cautela aos fiscais federais agropecuários. "O canal de negociação não está fechado", disse o ministro após participar de cerimônia de assinatura de convênio entre os ministérios da Agricultura, Educação e o Sebrae.

De acordo com o ministro, há uma vontade forte de encontrar uma solução para o impasse. Ainda segundo ele, "prejuízo sempre teremos" por conta da paralisação. A questão do reajuste salarial da categoria está sendo conduzida no Ministério da Agricultura pelo secretário-executivo, Silas Brasileiro. O ministro contou ainda que pediu aos fiscais que não entrassem em greve, mas a categoria decidiu cruzar os braços para forçar o governo a negociar reajuste salarial.