Brasília

– Em setembro de 1987 uma cápsula de Césio-137 foi encontrada nos escombros do Instituto Goiano de Radioterapia. Diversas pessoas mexeram neste lixo o que resultou em um dos maiores acidentes radiológicos do país. Foram mais de oitocentas pessoas contaminadas direta ou indiretamente.

Dezesseis anos depois a tragédia continua marcando a vida das vítimas e familiares. Segundo a presidente da Associação das Vítimas do Césio, Sueli de Moraes Silva, há crianças que nascem ainda hoje com possíveis seqüelas da radiação. Uma delas é a sua neta, que possui um caroço debaixo do braço e que está passando por exames. Sueli contou também que é muito grande o número de suicídios entre as vítimas. “Acho que o acidente afetou muito os neurônios. Então a pessoa fica fraca e outra a gente corre atrás de umas coisas tão pouca que a gente não consegue então isso afeta muito eles. Ficaram muito alterados depois do acidente com o Césio”, acredita.

Um grupo de vítimas, intermediado pelo Conselho Regional de Psicologia, esteve reunido nesta quinta-feira com o ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Eles vieram pedir, entre outras reivindicações, o aumento da pensão que hoje é R$ 137,00 e a participação em programas de assistência social dos governos estadual e federal. “A associação das vítimas elencou 13 pontos que são os caminhos para resolver questões. Tanto no sentido do que diz respeito a Previdência quanto na questão a assistência, atendimento especial a que eles fazem jus, quanto também a questão da sua reinserção social porque esse problema lhes causou uma tremenda discriminação e isso fez com que eles perdessem inclusive a capacidade de trabalhar”, explicou o presidente do Conselho Regional de Psicologia, Júlio de Oliveira Nascimento.

Júlio acredita que a contaminação pode ter chegado a até três mil pessoas, pois a segunda geração também é atingida. “As pessoas que foram contaminadas, no caso das mulheres correm risco de dar a luz a filhos com defeito. E isso tem ocorrido”, disse. “Hoje a vítima do Césio 137 não tem nenhuma garantia de evolução do seu estado de saúde”, afirmou.

O ministro Nilmário Miranda ficou surpreso ao ouvir os relatos. “Eu acreditava que estava resolvido, mas para minha surpresa recebi notícias de discriminação, preconceito, exclusão, abandono, descaso, erros”, afirmou. Segundo ele, neste tipo de acidente, cabe ao Estado fazer reparação em todos os níveis. Para isso, o ministro explicou que a Secretaria Especial dos Direitos Humanos vai intermediar as ações e buscar responsabilidades. “O que nós fizemos foi tomar conhecimento, anotar tudo e fazer o primeiro exercício para saber o que é municipal, estadual, federal, o que é da Assembléia Legislativa de Goiás, o que é da Câmara Federal”, explicou.

Miranda ressaltou a importância do Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN) fazer uma nova análise no local para saber o grau de contaminação. “Se é uma questão resolvida ou não resolvida e abrir a discussão com as vítimas. Está longe de ser um problema esgotado, é um problema em aberto”, concluiu.