Faoro estava radicado no Rio de Janeiro
desde 1951.

Rio

– O jurista e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) Raymundo Faoro morreu ontem, aos 78 anos, vítima de enfisema pulmonar. Faoro foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de 1977 a 1979, tendo lutado pela anistia ampla, geral e irrestrita, durante o governo João Baptista Figueiredo. O jurista era considerado um dos mais importantes intelectuais do País. Entre suas obras mais conhecidas estão Os Donos do Poder (1958), A Assembléia Constituinte – A Legitimidade Recuperada (1980); e Existe um Pensamento Político Brasileiro? (1994). Na ABL, Faoro ocupava a cadeira que foi de Barbosa Lima Sobrinho, para a qual fora eleito em 2000.

Faoro estava radicado no Rio de Janeiro desde 1951, quando se transferiu do Rio Grande do Sul, onde se formou, três anos antes, em Direito, pela Universidade Federal no Estado. O jurista foi também colaborador de importantes jornais do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de São Paulo.

Colegas de profissão lamentaram a morte de Faoro. “Além de jurista, Faoro foi um dos mais importantes cientistas sociais brasileiros”, declarou o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Francisco Fausto. O ministro Luciano de Castilho ressaltou que, durante o regime militar, quem mais defendeu a magistratura foi a OAB, na época presidida por Raymundo Faoro.

Após velório na sede da Associação Brasileira de Letras, o corpo de Faoro foi sepultado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.