Rio

(AE) – Um dos mais importantes arquitetos brasileiros, o carioca Sérgio Bernardes, de 84 anos, morreu ontem pela manhã em sua casa, no Rio. A morte ocorreu por falência múltipla dos órgãos, decorrente de um derrame sofrido há dois anos, que o paralisou parcialmente. Contemporâneo de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, Bernardes foi autor de obras importantes, como o Pavilhão de São Cristóvão, a residência de campo de Carlos Lacerda e de um conjunto de apartamentos na Avenida Niemeyer. Bernardes ficou conhecido como o mais excêntrico arquiteto de sua geração. Entre suas idéias, está, por exemplo, o projeto de transformar o arquipélago de Fernando de Noronha numa só ilha, que seria um centro turístico. Ele pensou também em interligar os rios brasileiros por um sistema de aquedutos, além de conjuntos habitacionais suspensos sobre trilhos de trens e uma marina que juntaria as praias de Ipanema e Leblon. Na década de 80, foi secretário de Planejamento de Nova Iguaçu, RJ, e defendia a divisão do município em “propriedades comunitárias”, uma de suas idéias socialistas. Mesmo assim, na década de 70, construiu o mausoléu Castelo Branco, tributo à direita e ao golpe militar de 1964.