A grande quantidade de animais marinhos, a maioria pinguins, encontrados mortos nas praias da Baixada Santista na última semana está dentro da normalidade da época e não aconteceu devido há algum fato específico. A conclusão foi divulgada hoje pela chefe do escritório regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ingrid Maria Furlan Oberg, depois de mais de três horas de reunião com veterinários, biólogos, pesquisadores e ambientalistas no Centro de Capacitação e Pesquisa em meio Ambiente (Cepema), centro ligado à Universidade de São Paulo (USP) em Cubatão.

De acordo com Ingrid, o grupo que monitora o encalhe de animais marinhos não encontrou nenhuma condição além da normal nos testes e exames realizados até agora. “Os exames detalhados, as análises patológicas, só saem daqui uns 30 dias, mas não há nada que indique uma causa diferente nessas mortes”, disse Ingrid, que acredita que a grande repercussão do fato – inclusive na imprensa internacional – aconteceu porque os animais apareceram em um curto período e concentrados em poucas praias.

“Mas acreditamos que isso aconteceu por causa da frente fria, que acabou trazendo todos de uma vez”, disse Ingrid, que no começo da semana já havia divulgado que umas das prováveis causas era mesmo o clima – uma mudança meteorológica brusca ocorrida no litoral gaúcho durante o último fim de semana.

Ingrid revela, entretanto, que o número de animais que apareceram – pelo menos 535 pinguins, 28 tartarugas, seis golfinhos e algumas aves oceânicas, como atobás, fragatas, albatrozes e andorinhas-do-mar – está dentro da normalidade para o período do inverno, quando eles migram da Patagônia em direção as águas mais quentes do norte.

Em relação ao lixo e poluição ter causado a morte dos animais – conforme divulgou o Aquário de Santos na última terça-feira – esses foram casos específicos ocorridos com tartarugas, segundo Ingrid, e que também são comuns. “Isso não deveria ser normal, mas encontrar plástico dentro das tartarugas é algo que sempre acontece, pois elas confundem plástico com água-vivas e acabam ingerindo esse lixo, que não deveria estar no meio do oceano, mas infelizmente está”, completa.