Foto: Arquivo/O Estado

Vendas de armas nas lojas diminuíram em todo o país.

Segundo o Ministério da Justiça, o Estatuto do Desarmamento continua sendo um forte inibidor do uso de armas de fogo e ainda produz reflexos nas taxas de homicídios do país. De acordo com dados de 2004, quando entrou em vigor a nova lei, morreram 36.091 pessoas por arma de fogo, 8,2% menos que em 2003, quando foram registradas 39.325 mortes. No ano passado, a redução foi de quase 6% e a tendência de queda permanece.

Depois de 13 anos de aumento constante, e a primeira vez que o número de mortes por armas de fogo cai no país. O ministério vê o fato como conseqüência direta da campanha do referendo. Foram recolhidas mais de 500 mil unidades de todos os calibres.

Segundo o levantamento do ministério, quase todos os estados tiveram redução no número de mortes e também de ferimentos por armas de fogo. No Rio, as internações caíram 10,5%. Apenas os estados com baixa adesão à campanha não tiveram redução de violência no período. O Rio Grande do Sul, por exemplo, registrou aumento de 9,2% no número de mortes.

Vendas de armas

Contrariando as expectativas, as vendas em lojas e indústrias de armas diminuíram no último ano. O dono da loja Ao Gaúcho, Sérgio Maresca, conta que a média mensal de vendas de armas caiu de sete no ano passado para cinco este ano.

Já o conselheiro administrativo da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), Marco Antônio de Castro, diz que a diferença do referendo foi só para a sociedade pelo direito de escolha. ?As vendas continuam no mesmo patamar.? Para Maresca, o aquecimento do mercado deve-se às vendas para o setor de segurança pública e privada, pois, depois de entrar em vigor o Estatuto do Desarmamento, em dezembro de 2003, a burocracia inviabiliza a compra para um civil. ?O sentimento é de que as pessoas estão indo para o mercado negro, pois não se consegue uma arma por menos de R$ 2,5 mil?, afirmou Bene Barbosa, presidente do Movimento Viva Brasil.

Aposentada que baleou ladrão recebe medalha de vereadores

Rio (AE) – No dia em que o referendo do desarmamento faz um ano, a aposentada Maria Dora dos Santos Arbex, de 67 anos, recebe a medalha Pedro Ernesto na Câmara dos Vereadores do Rio. No dia 8, ela baleou no Flamengo, zona sul, um homem que tentou assaltá-la.

Maria Dora havia saído de casa para passear com o cachorro levando o revólver da filha na bolsa. O ladrão, que já a havia abordado antes, ameaçou matar o cão caso ela não desse o celular. Maria Dora atirou na mão do homem, que foi preso. Ela acabou autuada por porte ilegal de arma e lesão corporal e responde em liberdade.

O filho Márcio dos Santos Arbex contou que a mãe ficou feliz com a medalha. ?Minha mãe se arrependeu, preferia que nada tivesse acontecido naquele dia, mas gostou da homenagem.?

O autor da idéia, vereador Carlos Bolsonaro (PP), que fez campanha pelo ?não? no referendo, não concorda com as críticas que recebeu de entidades pró-desarmamento, juristas e policiais por condecorar alguém que fez justiça com as próprias mãos. ?Por que não entregar a medalha a quem mostra que a segurança pública está cada vez mais falha??