Presídio Urso Branco, em
Rondônia, ficou destruído.

Brasília – Mais cinco corpos de presos assassinados por rebelados no presídio Urso Branco, em Rondônia, foram recolhidos na manhã de ontem. Os corpos, que foram esquartejados, estão em avançado estado de decomposição e seguem agora para o IML de Porto Velho. Com isso, a direção do presídio calcula em 14 o número de detentos mortos na rebelião, que começou na última sexta-feira e terminou na noite de anteontem. O Diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Clayton Nunes, que participou das negociações para encerrar o motim, continua no presídio.

A polícia vistoriou ontem a Casa de Detenção José Mário Alves, conhecida como Urso Branco, em Porto Velho (RO). Equipes avaliam os estragos deixados pela rebelião que terminou na quinta. O presídio foi parcialmente destruído. No total, 14 presos foram assassinados por colegas durante o motim – alguns foram decapitados. Segundo a Secretaria da Segurança, os policiais realizam uma varredura na unidade. O objetivo é localizar possíveis armas.

Na quinta-feira, com o fim da rebelião, policiais ocuparam as guaritas e muralhas do presídio. A ocupação interna ocorreu somente nesta sexta, quando cinco corpos mutilados foram localizados. A rebelião chegou ao fim na quinta-feira, após um acordo prevendo a transferência de 30 detentos, a troca da direção e melhorias nas condições do presídio, entre outros pontos. O tumulto no presídio começou na última sexta-feira, quando dois detentos foram mortos por companheiros.

Seria uma briga entre os presos, mas o motim cresceu e, no domingo, cerca de 170 parentes que visitavam os detentos decidiram permanecer na unidade. Eles não foram considerados reféns, porque, segundo o governo do Estado, concordaram em ficar no presídio. Durante estes dias, os presos teriam escavado três túneis, mas nenhuma fuga foi registrada.

Os rebelados reivindicaram também a permissão para crianças visitarem os detentos, uma enfermaria, uma igreja e um telefone público, entre outros itens. Reclamaram da alimentação e reivindicaram banho de sol duas vezes por semana. Os presos exibiram, nos primeiros dias da rebelião, os corpos dos detentos assassinados.

Na segunda-feira, os rebelados mostraram, em cima do telhado da penitenciária, uma cabeça decapitada de um preso e partes esquartejadas de outro. Eles arremessaram os corpos dos demais mortos no pátio interno.