O Ministério Público do Estado do Rio denunciou o deputado estadual Geraldo Moreira (PTN) e dois de seus assessores por corrupção de testemunha. O trio é acusado de tentar alterar o depoimento de uma ex-funcionária do parlamentar na ação penal em que Moreira responde como mandante de homicídio do médico Carlos Alberto Peres Miranda, em março de 2008.

A nota oficial do Ministério do Público acusa os assessores Izaías da Silva, conhecido como “Fio” e Alessandro Toledo de Lima de assédio à testemunha desde o fim de 2008. Em fevereiro e março, os funcionários de deputado teriam tentado convencê-la a alterar seu depoimento em troca de R$ 30 mil e mais um cargo comissionado no gabinete do parlamentar. A proposta subiu, posteriormente, para R$ 150 mil.

 

Os assessores, segundo a investigação do Ministério Público, chegaram a entregar um texto impresso que deveria ser copiado à mão pela testemunha, que procurou a polícia e registrou a tentativa de coação. Izaías e Alessandro tiveram a prisão preventiva pedida à Justiça do Rio, que ainda não se manifestou.

 

A solicitação não incluiu o deputado, por conta de suas prerrogativas funcionais – a legislação estabelece que parlamentares só podem ser presos em flagrante. Ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Moreira foi apontado como mandante do homicídio de Miranda, que seria namorado de uma ex-mulher do deputado.

 

Quatro pessoas – os executores do assassinato e os intermediários para a contratação – já foram condenadas pela Justiça a penas de sete a 16 anos de prisão. O julgamento de Moreira está previsto para ocorrer ainda este mês no Órgão Especial de Justiça do Rio. O deputado conserva seu mandato, pois o processo disciplinar contra ele na Alerj está parado. Moreira não retornou as ligações da reportagem.