A morte do cortador de cana Mariano Baader, de 53 anos, será investigada pelo Ministério Público do Trabalho a partir da semana que vem. Um inquérito para apurar o caso foi aberto nesta sexta-feira pelo MPT, em Presidente Prudente (SP).

O trabalhador rural teve uma parada cardiorrespiratória segunda-feira passada enquanto cortava cana em um canavial da Usina Alvorada, em Santo Anastácio. Ele pode ter sido vítima do excesso de trabalho.

"Tudo indica que a morte foi causada pelo excesso de esforço físico. O corte de cana é um trabalho penoso. O cortador fica exposto ao calor, que é muito forte na região. Vamos apurar se há respeito ao cumprimento da legislação trabalhista", afirmou Renata Aparecida Crema Botasso, procuradora do Trabalho.

Ela disse também que solicitará a abertura de inquérito policial para saber se houve omissão de socorro. A omissão foi negada pela Agrícola Monções, que terceiriza mão-de-obra para a usina.

A empresa informou que Baader foi socorrido e, citando o atestado de óbito, esclareceu que "o óbito se deu em decorrência de parada cardiorrespiratória por causa indeterminada". Com um atestado médico, ele voltou a trabalhar na segunda-feira após um afastamento de cinco dias por problema de saúde.

Quem também acredita que a morte foi causada por excesso de serviço é o sindicalista Rubens Germano, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Presidente Venceslau e Marabá Paulista. Segundo o sindicalista, as usinas exploram os trabalhadores, que cortam uma média de 12 toneladas de cana por dia, pagando salários baixos (R$ 800 mensais) por uma jornada excessiva.

"É muita produção para pouco salário. É semelhante ao trabalho dos escravos", resumiu, criticando as metas de produção de etanol. Cerca de 21 cortadores de cana morreram por excesso de trabalho nos últimos cinco anos em todo o País.