Polícia e integrantes do MST:
movimento volta a agitar.

Porto Alegre – Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) bloquearam rodovias e ameaçaram invadir e saquear ontem dois supermercados no Rio Grande do Sul. Ao amanhecer, em três frentes diferentes os militantes reivindicaram a concessão de cestas básicas para as 2,5 mil famílias dos seis acampamentos montados à beira de rodovias no Estado.

O movimento na realidade fez ontem uma série de ações em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. No caso do Rio Grande do Sul, o grupo chegou a ficar em posição de confronto com a Polícia Militar. Ao meio-dia, diante da promessa do superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), César Aldrighi, e do secretário estadual da Reforma Agrária, Vulmar Leite, de que seriam liberadas 130 toneladas de alimentos, os manifestantes suspenderam os protestos, mas continuaram onde estavam à espera das primeiras remessas aos acampamentos.

Às 7h, um grupo de cerca de 100 militantes saídos do acampamento de Arroio dos Ratos, na região carbonífera, bloqueou a passagem de caminhões que chegavam a Porto Alegre vindos da zona sul do Estado.

Revoltados, os motoristas decidiram trancar a rodovia, impedindo também a passagem de automóveis e ônibus. Formou-se um congestionamento de 12 quilômetros. Uma hora depois, os sem-terra liberaram o trânsito e ficaram à margem da rodovia. Apesar de isolados pela Brigada Militar (a Polícia M ilitar gaúcha), ameaçavam retomar o bloqueio e só desistiram depois da chegada de Aldrighi e Leite.

Em Nova Santa Rita, também na Região Metropolitana, cerca de 80 sem-terra de um acampamento à margem da BR-386 entraram no Supermercado Extra e disseram ao proprietário Carlos Cichelero que cobrasse do Incra e do governo do Estado os alimentos que iriam levar. Não chegaram a cumprir a ameaça, mas exigiram que Cichelero ligasse para as autoridades para informá-las do ato e das reivindicações.