Stédile pediu a substituição de Palocci.

O líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, mandou recado ontem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: ou o governo muda sua política econômica, ou o povo muda. Fazendo referências à queda da ditadura, às diretas-já e ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, ele disse que o povo também vai exigir mudanças na política econômica.

O recado ao presidente foi dado na presença dos ministros da Reforma Agrária, Miguel Rossetto, e da Pesca e Aqüicultura, José Fritsch, durante a festa em comemoração aos 20 anos do MST, em Itapeva, no sudoeste de São Paulo. Stédile disse que aproveitaria a presença também do assessor especial do presidente, Frei Betto, para fazê-lo portador do recado: ?Lula, pelo amor de Deus, troque o Palocci (ministro da Fazenda), que já disse que é ministro do Serra (José Serra)?. Na platéia, além de cerca de 3.500 mil militantes de todo o Brasil, estavam os 400 delegados estrangeiros da Via Campesina internacional.

Segundo o líder dos sem-terra, o País vive uma crise de projeto e de destino, pois ?o povo brasileiro quer mudar e votou para mudar, mas a burguesia não quer entregar o anzol que está transformando o governo Lula em refém de uma política econômica neo-liberal?. Stédile afirmou que o MST é solidário com os pobres da cidade para que se aumente o salário mínimo, o que considerou ?uma vergonha?. Ele disse que a tarefa de cada militante, ?não só do MST?, é organizar o povo para, através das mobilizações de massa e da luta social, conseguir mudanças no modelo econômico. ?A reforma agrária que defendemos não vai se viabilizar se não mudar o modelo econômico. O agronegócio produz dólares, mas não comida?.

Alianças

Stédile defendeu a aliança do MST com sindicatos, parlamentares e todas as formas de organização do povo para essa mudança. Lembrou que o papel do MST é organizar a luta social para que o povo organizado possa conquistar melhorias de vida. O coordenador nacional do MST criticou a quebra do sigilo bancário das entidades que dão sustentação econômica ao movimento. ?Recebemos ajuda do povo da Europa, dos Estados Unidos e de Cuba e temos orgulho disso?. O ministro Miguel Rossetto não quis comentar as críticas de Stédile.