Caruaru

– A hipótese de trégua nos primeiros meses do governo de Luiz Inácio Lula da Silva está descartada, segundo decidiu ontem a direção nacional do MST, depois de três dias de reuniões fechadas em Caruaru, a 130 quilômetros do Recife. O MST não quer cargos no governo, não vai indicar nomes para o Incra nem pretende recuar da política de ocupação de terra, que é encarada pelo movimento como o mais eficiente meio de pressão em defesa da reforma agrária. Mas o MST quer que as ocupações, caso aconteçam, não sejam entendidas como uma afronta a Lula mas, sim, como parte de uma luta contra o latifúndio. E se depender da disposição da direção nacional do MST, elas continuam.

“Trégua é uma palavra que não está no nosso vocabulário. Não se trata disso. A fome não dá trégua. A fome é um problema histórico. Negociação sim, diálogo sim, avanços sim. Já as ocupações constituem a forma que encontramos para botar o tema reforma agrária no debate. Ninguém faz ocupação por achar bonito. É a forma de luta tão legítima quanto as greves dos trabalhadores. As ocupações foram um meio de colocar o tema reforma agrária no debate”, resumiu Gilmar Mauro, uma das lideranças nacionais do MST.