Um protesto do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que segundo a Polícia Militar teve a presença de mil pessoas, fechou parte da Rua David Ben Gurion, no Morumbi, na zonal sul de São Paulo, nesta quinta-feira, 11. Os ativistas protestavam contra a síndica do condomínio Paulistano localizado ao lado da ocupação Chico Mendes, no terreno com cerca de 30 mil metros quadrados. De acordo Natalia Szermeta, coordenadora do MTST, moradores do prédio tem atirado objetos na ocupação e já houve caso de disparo de arma de fogo.

A manifestação em frente ao condomínio de luxo com sete torres e mais de 200 apartamentos foi pacífica, durou cerca de 15 minutos e terminou às 18h30. Os sem-teto atearam fogo em um boneco que representava a síndica dos edifícios de alto padrão. Com caixas de som, a coordenadora chamava a síndica de “fascista”.

Os cerca de mil manifestantes também cantaram em coro: “E daí? O povo dos sem-teto vai morar no Morumbi.” Viaturas da Polícia Militar ficaram do lado de fora do prédio. Um carro do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) permaneceu dentro do condomínio.

A síndica do condomínio não foi localizada e segundo os seguranças ela não quis dar entrevistas. Ninguém foi detido durante a manifestação e os próprios sem-teto impediram que as duas faixas da rua fossem interditadas para os veículos.

O MTST alega que o condomínio foi construído sobre uma Zona de Interesse Social (Zeis) de habitação. No entanto, segundo a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) a construção está regularizada. Ainda de acordo com a pasta, o terreno ocupado pelos sem-teto “trata-se de uma área municipal e, apenas a partir do novo Plano Diretor um trecho dessa área foi definido como Zeis”. A secretaria afirmou que as famílias interessadas em entrar no plano habitacional da Prefeitura devem se cadastrar. As ocupações, de acordo com a secretaria, “não geram prioridade para o atendimento habitacional”.

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