Brasília – ?No ano 2000, quando todos os chefes de Governo e de Estado se reuniram para tratar da questão da miséria e da fome, eles chegaram a conclusão de que o problema da fome e da miséria não pode ser resolvido, se não for resolvida a questão da discriminação entre homens e mulheres. Agora, o grande desafio é transformar em ação esse consenso que já existe entre os líderes mundiais?. O comentário foi feito hoje, em Brasília, em entrevista à Agência Brasil, pela Diretora da Divisão pelo Progresso das Mulheres ? da Organização das Nações Unidas (ONU), Carolyn Hannan, após participar, no Itamaraty, da reunião preparatória da 48ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, que será promovida pela a ONU em março de 2004, em Nova Iorque.

O encontro contou com a presença da secretária adjunta da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, Maria Laura Carneiro; da professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Nova Delhi, (Índia), Radhik Chopra; do especialista James Lang, consultor para o Fundo de Prevenção da Violência da ONU, com sede em São Francisco, nos Estados Unidos, além de representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do ministério da Saúde, do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres, da Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial, de universidades e de Organizações não Governamentais (ONGs).

O tema em debate foi ?O Papel dos Homens e dos Meninos para Alcançar a Igualdade de Gênero?. Todos concordaram que a reunião foi bastante produtiva. ?Na realidade, vivemos um momento na sociedade em que o movimento de mulheres e os movimentos feministas de um modo em geral colocaram em discussão a questão da igualdade entre os gêneros, nas relações entre homens e mulheres, nas relações com a sociedade e a igualdade de direitos?, disse Maria Laura Carneiro.

Segundo ela, hoje há uma compreensão dos ?próprios homens de que a luta pela igualdade de gênero não é uma luta a ser levada exclusivamente pelas as mulheres?.

Maria Laura destacou que ?a humanidade quer o fim da violência e das desigualdades com todo respeito entre as diferenças existentes entre os sexos, entre as raças e entre as religiões?. Acrescentou que para a reunião da ONU ano que vem, ?o Brasil vai levar uma bandeira histórica, que continua na ordem do dia: o combate à violência contra a mulher?.

A socióloga indiana Radhik Chopra lembrou que não só no Brasil, mas em todo o mundo as mulheres enfrentam situações de extrema adversidade e situações que elas não podem resolver sozinhas. ?Então, é muito importante considerar o papel de homens e meninos, por exemplo, na construção de parcerias que levem à resolução desse problema. A reunião preparatória foi importante para discutirmos propostas que nos levem à igualdade de gênero e de justiça social não só para homens e mulheres, mas também para outros tipos de relacionamentos?, afirmou.

A representante da Ecos – Comunicação e Sexualidade, uma ONG do Rio de Janeiro que atua no campo da sexualidade de jovens e adolescentes, Sandra Unbehaum, afirmou que a violência contra as mulheres ainda é bastante preocupante. ?Precisamos pensar em políticas efetivas de enfrentamento dessa questão. A secretaria Especial de Políticas para as Mulheres tem um programa com vistas a enfrentar essa situação. Temos legislação, mas o difícil é fazer com que essas leis sejam cumpridas?, advertiu Sandra.