Nomeado ministro da Defesa numa operação de emergência para tentar conter o caos aéreo, Nelson Jobim começa a aproveitar o vácuo político dentro do governo para se credenciar como o principal auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Há pouco mais de duas semanas no cargo, o estilo forte de Jobim tem se destacado num momento em que Lula e seus principais aliados estavam acuados politicamente por conta dos efeitos provocados pelo segundo desastre aéreo de grandes proporções no País num período de apenas dez meses.

Se Jobim encontrou espaço para se tornar um ponto de referência do governo, essa exposição também já provoca desconforto em setores do PT, que o consideram ‘tucano demais’ – ele foi ministro da Justiça do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e é um dos amigos mais próximos do governador de São Paulo, José Serra. Petistas desconfiam que, se permanecer forte, Jobim, que é do PMDB, poderá se tornar um candidato na sucessão presidencial de 2010.

Mais: dentro do governo, o poder dado a Jobim abriu a temporada de ciúmes e de críticas pelo estilo forte e centralizador, o que lhe valeu o apelido irônico de ‘Poderoso Thor’. Independentemente disso, políticos aliados de Lula e de oposição concordam que a presença de Jobim melhorou a situação do governo. ‘Existia um espaço que ele soube ocupar muito bem’, elogia o líder do PC do B na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE).

Desde sua posse, Jobim já mudou o comando da Infraero, assumindo o desgaste de substituir um militar por um político com experiência de gestor, o ex-deputado Sérgio Gaudenzi (PSB-BA), seu amigo pessoal. ‘Gaudenzi é um ótimo gestor e um tocador de serviço. Disse-lhe que sua ida para a Infraero seria boa para Jobim e para ele mesmo’, afirma o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos.

Jobim sabe que a manutenção do prestígio depende de resultados. Por enquanto, ele tem aproveitado cada minuto e adotado uma agenda de compromissos semelhante a de um presidente, sem interrupção nos fins de semana. ‘Ele tem autoridade e passa confiança e isso é importante para o governo’, reconhece Renildo Calheiros.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo