A ex-mulher do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, Nicea Camargo, confirmou ontem à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura evasão de divisas via contas CC-5, a CPI do Banestado, que tanto seu ex-marido quanto o ex-prefeito Paulo Maluf e o filho dele, Flávio Maluf, estavam envolvidos em um esquema de evasão de divisas e corrupção, uma vez que recebiam comissões de empreiteiras como OAS e Mendes Júnior pela contratação de obras públicas na capital paulista. Segundo Nicea, que colocou à disposição da CPI conta em seu nome aberta em Zurique, na Suíça, Pitta depositava o dinheiro obtido no exterior.

Convidada a depor pela senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), Nicea afirmou ser muito difícil fazer denúncias contra o pai de seus filhos, com quem viveu 28 anos. A depoente disse, no entanto, estar fazendo o que considera melhor para o Brasil. Nicea Camargo contou ter participado, durante a gestão de Pitta, de reuniões onde se falava sobre desvio de verbas e corrupção. Destas reuniões, observou, participavam Paulo e Flávio Maluf, além de vereadores.

De acordo com Nicea, o nome dela esteve envolvido na criação de duas contas no exterior, destinadas a receber dinheiro de origem duvidosa. A primeira conta, em Zurique, foi aberta com a presença dela. Ainda segundo seu relato, ela se recusou a assinar os papéis de abertura da segunda conta. De acordo com a ex-mulher de Pitta, os recursos eram movimentados sempre pela doleira Sheila Abade, vinculada ao Banco Cidade no Brasil e ao Banco Comércio de Nova Iorque (New York Commercial Bank).

Nicea se colocou à disposição da CPI para ir ao banco em Zurique, a fim de buscar extratos de movimentação dessa conta, da qual tem o número e um cartão magnético. Em resposta ao relator da CPI, deputado José Mentor (PT-SP), Nicea afirmou ter ouvido de uma funcionária do Commercial Bank que na conta de Pitta seriam aplicados os mesmo juros de aplicação que eram feitos para Maluf.

Procurador será ouvido

A CPI Mista do Banestado vai encaminhar uma interpelação ao procurador da República Luiz Francisco de Souza, para que ele esclareça entrevista – concedida ao portal Consultor Jurídico – em que teria criticado o andamento dos trabalhos da comissão. A sugestão foi feita pelo presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), e acatada pelo colegiado.

A reclamação sobre a entrevista foi feita pelo senador Heráclito Fortes (PFL-PI), que considerou desrespeitosas as avaliações negativas feitas por Luiz Francisco, especialmente aquelas em que o procurador aponta morosidade nas investigações e alega que a CPI não estaria intimando os principais suspeitos no esquema de evasões de recursos. Segundo relato de Heráclito, o procurador teria afirmado, na entrevista, que entregou um lista com 400 nomes de políticos envolvidos com evasão de divisas que não estavam sendo investigados pela CPI.

O relator da comissão, deputado José Mentor (PT-SP), que também teria sido criticado pelo procurador na entrevista, apoiou o questionamento a Luiz Francisco e disse que essa não é a primeira vez que o procurador fazia insinuações dessa natureza e ao mesmo veículo de comunicação.