A nova edição da revista Veja, que chega às bancas neste final de semana, traz uma nova denúncia sobre um suposto acordo eleitoral do PT envolvendo recursos financeiros. Desta vez, o partido que receberia os recursos do caixa petista em troca de apoio seria o PSDC.

Na edição passada, Veja acusava o PT de pagar R$ 10 milhões ao PTB nas eleições municipais. O presidente nacional do PT, José Genoino, negou as acusações, mas o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, confirmou que pediu dinheiro para os candidatos do partido.

A denúncia sobre o PSDC estaria restrita às eleições em Osasco, no interior de São Paulo, e não teria se concretizado. O partido do ex-candidato à Presidência da República, José Maria Eymael, hoje presidente do PSDC, teria sido sondado no dia 10 de junho deste ano para receber R$ 500 mil em troca do apoio do partido ao candidato petista na cidade, Emídio de Souza.

Segundo a revista, o PT teria interesse em impedir que o pré-candidato do PSDC, Délbio Teruel, bem colocado nas pesquisas, se aliasse aos tucanos. Teruel poderia ser vice na chapa do PT ou lançar candidatura própria, desde que não ficasse ao lado dos tucanos. O PSDC acabou rejeitando a proposta e se aliando ao PSDB.

Veja relata que recebeu uma transcrição da gravação da reunião onde teria sido discutido o acordo. A reunião teria começado com um telefonema do deputado petista João Paulo Cunha (PT/SP), presidente da Câmara dos Deputados, cuja base eleitoral é Osasco. João Paulo pediu a Eymael que recebesse o candidato petista à prefeitura osasquense, Emídio de Souza. “Isso não passou nem perto de acontecer. Nunca tratei de dinheiro com o senhor Eymael”, disse João Paulo à publicação.

Acusação

Enquanto a nova denúncia toma corpo, lideranças do governo e do PTB continuam negando as acusações de acordos envolvendo recursos financeiros entre o partido e o PT. A oposição quer pedir a instalação de CPI. O vice-líder do PTB, deputado Ronaldo Vasconcellos (MG), afirma desconhecer qualquer negociação nesse sentido e critica a articulação do PFL e PSDB para propor a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar as denúncias. “O PFL e o PSDB, se forem fazer uma CPI, poderão descobrir coisas piores dentro do próprio PFL e PSDB. É uma iniciativa eleitoreira.”

O vice-líder do PFL, deputado Pauderney Avelino (AM), confirmou que a orientação da Executiva do partido é pedir a instalação de uma CPI na Câmara ou no Senado para investigar as denúncias. Segundo ele, o fato é grave e deve ser investigado pelo Congresso Nacional. “Esta questão deve ser apurada e já”, comentou.