Brasília – A nova presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, faz muitas ressalvas à política do governo federal para a educação e, em entrevista, reivindicou uma rubrica específica do Ministério da Educação "para um Plano Nacional de Assistência Estudantil, com verba orçamentária superior a R$ 200 milhões".

O ministro da Educação, Fernando Haddad, prometeu há duas semanas uma verba de R$ 150 milhões, mas só para 2008, sem vinculação orçamentária.

Lúcia Stumpf, 25 anos, gaúcha de Porto Alegre, e estudante de jornalismo pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), de São Paulo, apresentou-se como candidata única à presidência da UNE, durante o biênio 2007-2009. A eleição coincide com a realização do 50º Congresso da entidade, de quarta-feira (4) até hoje (8), quando os estudantes comemoram os 70 anos de fundação da agremiação estudantil universitária, em 11 de agosto de 1937.

Lúcia Stumpf substitui Gustavo Petta, que foi presidente da UNE por dois mandatos seguidos (2003-2007).

Para Lúcia Stumpf, o governo deveria "investir mais na educação, com uma maior interiorização de universidades públicas, com um plano de assistência aos estudantes, como bandejão, vale-transporte e moradia universitária".

Segundo ela, o governo deveria regulamentar as universidades privadas, "que ditam suas próprias regras, sem dar satisfações ao governo, e agem muitas vezes contra o aluno, como a criminalização dos estudantes inadimplentes, proibidos de entrar nas
faculdades quando estão devendo".

Ela afirmou que a UNE apóia as políticas de cotas do atual governo, como previstas no projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados, segundo o qual em cinco anos 50% de todas as vagas nas universidades públicas serão destinadas a estudantes de baixa renda oriundos do ensino público fundamental e de primeiro grau e, dentro desse percentual, haverá uma destinação racial (negros e índios), conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A nova presidente da UNE disse que a entidade também apóia a inciativa do governo de criação do Programa Universidade para Todos (ProUni) – que distribui bolsas em universidades privadas para estudantes carentes -, mas também com ressalvas. Segundo ela, "é preciso dobrar o número atual de cerca de 300 mil bolsistas e que o programa seja acompanhando de uma ampla fiscalização do governo e uma política de assistência estudantil, para que os estudantes possam permanecer nas universidades".

O 50º Congresso da UNE reúne 4.794 delegados credenciados, além de cerca de quatro mil estudantes observadores. Desde quarta-feira passada, os estudantes tiveram uma ampla agenda além das discussões. Na quarta-feira foram homenageados com uma sessão solene do Senado Federal, na quarta-feira; na quinta-feira, realizaram uma passeata, saindo da Universidade de Brasília (UnB), passando pela Esplanada dos Ministérios e que terminou em frente ao Banco Central, onde os estudantes foram protestar contra a política econômica do governo e pedir a demissão do presidente do banco, Henrique Meirelles. Ontem e hoje os universitários se concentraram no Ginásio de Esportes Nilson Nelson, no Eixo Monumental de Brasília.