O novo comandante das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), coronel Paulo Henrique de Moraes, 47, negou que esteja assumindo em um momento de crise nas unidades instaladas em comunidades do Rio de Janeiro.

Ele entrou no lugar do coronel Rogério Seabra, que foi demitido pelo secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e pelo comandante da PM, o coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, após os constantes ataques a PMs lotados nas UPPs. Dois policiais foram mortos no último mês em um total de cinco em todo ano.

Além disso, houve denúncias de problemas em outras unidades. Corrupção policial na UPP do Morro da Coroa e acusação de que PMs agrediam moradores no complexo do Alemão.

“É um pouco forte dizer que estejamos em um momento de crise. Não podemos viver a ilusão de que a criminalidade não vá reagir de alguma maneira. Estamos mexendo em escalas para ter maior efetivo diariamente. Irei me reunir com todos os comandantes de UPPs para passar a diretriz de como os PMs devem agir. Para cada uma delas há particularidades. Elas vivem momentos diferentes”, afirmou Moraes.

O coronel apontou as UPPs Fallet/Fogueteiro, na região central do Rio, e as unidades localizadas no Alemão, na zona norte, como as que enfrentam os maiores problemas dentre as 28 unidades existentes.

O novo comandante disse, ainda, que vai descentralizar a administração das unidades para obter melhor resultado no policiamento. A ideia é aumentar a aproximação dos policiais com a comunidade como reduzir o número de PMs baleados em confrontos.

Moraes ainda pretende agilizar a tomada de decisões e a solução dos problemas. “Você imagina. Hoje são quase 30. Se a cada dia eu visitar uma, só voltarei a ela no mês seguinte. Acho que podemos agilizar as decisões e auxiliar os jovens policiais com a orientação de pessoas experientes”, disse.

Hoje, capitães coordenam as UPPs. Com os sete novos administradores de área, coronéis serão nomeados para os cargos, o que, segundo o coronel Moraes, garantirá experiência às unidades.

Hoje, o projeto UPP completa quatro anos. A primeira unidade foi instalada no Morro Santa Marta, em Botafogo, zona sul do Rio. Nas 28 unidades há 7.000 policiais. De acordo com o governo do Estado do Rio cerca de 385 mil pessoas moram nessas regiões.