O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse acreditar que a CPMF deverá ser aprovada tanto na Câmara como no Senado. A declaração é desta sexta, quando o presidente explicava que o Governo realizou uma série de desonerações, e que em 2006, uma delas chegou a desonerar R$ 32 bilhões. "O Brasil não pode ter medo de arrecadar mais. Porque o mal do Brasil é que durante muito tempo ele arrecadou menos. Então, o Brasil precisa arrecadar o justo para fazer a política social justa, que o País necessita. Por isso, estou convencido que a Câmara e o Senado vão aprovar a CPMF", afirmou Lula, depois cerimônia em que o Banco do Brasil assumiu o Banco de Santa Catarina (BESC), em Florianópolis.

Ao responder uma pergunta se o Governo faria alguma desoneração após a aprovação da CPMF, o presidente afirmou:" Nós já fizemos. As pessoas esquecem com muita facilidade as coisas. Esquecem que nós fizemos R$ 32 bilhões em desoneração em 2006. Foram R$ 32 bilhões que eu poderia estar aplicando em políticas sociais. Entretanto, nós desoneramos uma CPMF. As pessoas já esqueceram que acabamos de aprovar Lei Geral da Micro, Pequena e Média Empresa, que vai gerar um outro rito de pagamento de imposto para a micro, pequena e média empresa e vai ter uma desoneração de mais de R$ 5 bilhões. Esquecem das coisas que já aconteceu e ficam apenas discutindo as coisas que podem acontecer".

Indagado pelos jornalistas se havia chamado senadores do PMDB para aprovar a CPMF ou se estaria preocupado com a CPMF no Senado, o presidente da República disse achar que vão aprovar a CPMF. "A CPMF é um imposto justo. Quando vocês conversarem com alguém que faça críticas a carga tributária, perguntem a eles, que imposto aumentou? Eu poderia perguntar aqui para vocês, que imposto aumentou para o jornalista brasileiro, ou para quem vive de salários? Nenhum. Na verdade, é que as pessoas estão pagando mais, porque estão ganhando mais. É só ver os lucros dos bancos, das mil maiores empresas brasileiras, que vocês vão perceber que as pessoas estão ganhando mais e portanto têm que pagar mais. É assim no Brasil, é assim em qualquer parte do mundo. O que nós precisamos – tanto prefeito, quanto governador, quanto presidente da República – é arrecadar o máximo possível com a menor taxa de imposto possível e que a gente faça uma maior política de distribuição de renda. É essa a lógica".