Foto: Arquivo/O Estado

 Paulo Okamotto: comparado a Delúbio Soares.

Convocado pela CPI dos Bingos para explicar, hoje, porque tirou do próprio bolso os R$ 29,43 mil para quitar dívida do presidente Lula com o PT, o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, será igualmente questionado sobre suas atividades como arrecadador do PT. Na série de denúncias reunidas pela comissão, ele aparece desempenhando papel semelhante ao de Delúbio Soares, o ex-tesoureiro, expulso do PT depois de comprovada sua atuação nos esquemas de ‘mensalão’ e de caixa 2 do partido. Com a vantagem de que, como responsável pelas finanças do partido desde 1989, Okamotto era muito próximo de Lula.

Sobre a dívida de Lula, o presidente da comissão, senador Efraim Morais (PFL-PB), lembrou que foi o próprio presidente do Sebrae quem declarou ter feito esse pagamento. "Já o presidente disse desconhecer quem pagou ao partido em seu lugar", afirmou. Até agora Paulo Okamotto não apresentou nenhuma prova, recibo ou extrato de dinheiro sacado de sua conta) que tenha falado a verdade.

Ele foi convocado pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) depois do embargo armado pelos governistas para impedir que a CPMI dos Correios investigasse seu gesto de se responsabilizar pelo débito de Lula. Sua ida a esta comissão foi rejeitada por 12 dos 22 parlamentares presentes à sessão. No seu requerimento, ACM Netto lembra que no depoimento à CPI dos Bingos o ex-secretário da prefeitura de Ribeirão Preto, Rogério Buratti, afirmou que a campanha de Lula recebeu recursos de empresários de bingos e máquinas caça-níqueis do Rio de Janeiro. "Como Okamotto teve participação ativa na campanha e honrou empréstimos pessoais do presidente, faz necessária sua convocação para os esclarecimentos das denúncias de Buratti", justificou o senador.

Os preparativos da comissão para o depoimento do presidente do Sebrae trouxe à tona entrevistas do ex-secretário das Finanças de Campinas e São José dos Campos, Paulo de Tarso Venceslau, publicadas no Estado e Jornal da Tarde. Venceslau foi expulso do partido em 1998, após denunciar achaques feitos às prefeituras petistas pela empresa do compadre de Lula, Roberto Teixeira, a Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM). Com base no que viveu, ele se refere a Paulo Okamotto como sendo "aquela figura que circulava pelas prefeituras petistas, sempre tentando ver alguma forma de arrecadar algum recurso para o partido". "Ele era o homem de confiança do Lula, o homem das finanças de Lula, o homem da caixa preta", acusou.