Brasília (AE) – O governo federal criará em todos os estados delegacias da Polícia Federal especializadas no combate a crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Em 2006, essas delegacias terão como foco principal as campanhas eleitorais e fecharão o cerco sobre o caixa 2 dos partidos políticos e candidatos em todos os níveis do pleito. Os policiais agirão a partir de denúncias encaminhadas à Justiça Eleitoral ou mediante a constatação de sinais exteriores de campanhas milionárias, segundo informou o Ministério da Justiça.

A decisão está prevista na convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a corrupção, da qual o Brasil é signatário, que entrou em vigor este mês. Além do combate ao caixa 2, o Brasil, por força do acordo, adotará o mecanismo chamado PEPs (politically exposed persons), que prevê o monitoramento de pessoas politicamente expostas.

Significa que, na luta contra a corrupção, o Brasil passará daqui por diante a investigar permanentemente os políticos, desde parlamentares a ministros de Estado, governadores e administradores públicos, como ocorre nos países de primeiro mundo signatários da convenção. A adesão do Brasil à convenção da ONU é uma resposta à onda de corrupção que varre o País, afeta todos os poderes, e que provocou a maior crise política do atual governo.

Para atender aos requisitos da convenção, serão adotadas práticas moralizadoras da administração pública e de combate ao crime organizado.