Agência Brasil
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Severino Cavalcanti: crise aumenta em sua volta e sucessão já é discutida.

Brasília – Severino Cavalcanti (PP-PE) está despencando ladeira abaixo da presidência da Câmara Federal. Se a sua saída é unanimidade na oposição, há divergência sobre quem fica no lugar. Unidos na oposição ao governo, PFL e PSDB divergem. Os tucanos e outros partidos como o PPS, PDT e PV querem afastar Severino e convocar imediatamente nova eleição para o cargo. O PFL quer o afastamento temporário para que o primeiro vice-presidente José Thomaz Nonô (PFL-AL) fique no cargo por, pelo menos, 120 dias.

Enquanto isso, nomes de deputados já estão até sendo lançados. Mas se a situação de Severino é cada dia mais insustentável, sua saída imediata é outra coisa. Até a oposição reconhece que Severino ainda tem sustentação do Planalto e de partidos da base aliada, com os quais pode ficar pendurado no cargo. Ou seja, ele só sai se esse apoio ruir. Mas o governo, desta vez, está de olho em negociação. Os petistas admitem que serão derrotados se não negociar com a oposição o futuro da Câmara.

Em meio a esse quadro de indefinição, o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que não tem muita força na bancada do PT por ser independente, vem sendo procurado por parlamentares do PSDB e do PFL, como alternativa para uma eventual disputa pela presidência da Casa. Seu nome está encontrando apoio também de deputados da esquerda do PT que defendem um nome suprapartidário. Outro petista lembrado para a sucessão do comando da Câmara é o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo.

Mas Chinaglia desconversa. "Isso está fora de discussão", afirmou Chinaglia, ressaltando ser necessário nesse momento apurar as denúncias. "O único caminho é o esclarecimento cabal dos fatos", completou. Mas ele sabe que não tem apoio do PSDB e do PFL e, portanto, sua candidatura seria de disputa e não de consenso.

"Não é hora de nenhum partido falar em nomes", avaliou o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Fora do PT, os nomes cogitados são dos deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP), ex-ministro da Coordenação Política, e Eduardo Campos (PSB-PE), ex-ministro de Ciência e Tecnologia. Pesa contra eles a vinculação com o governo, apesar de serem respeitados e terem bom trânsito partidário. Os deputados José Thomaz Nonô ( AL) e José Carlos Aleluia (BA), também lembrados, enfrentam resistências em seu próprio partido e são identificados como oposição radical ao governo. Ou seja, haveria um novo impasse.

O PPS prefere um não-petista, mas admite dificuldades porque os demais partidos que compõem a base governista também estão envolvidos nas denúncias de corrupção. As exceções são o PSB, que poderia lançar Eduardo Campos (PE), e o PCdoB, de Aldo Rebelo (SP). Enquanto isso, o corregedor da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), saiu ontem em defesa de Severino, mandando um recado para os que estão de olho no lugar de seu aliado político. Ciro disse que é muito cedo para se falar em sucessão e que quem lançar sua candidatura agora não vencerá a disputa.