A Comissão dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos acompanhou nesta terça-feira (1) a exumação da ossada que seria do espanhol Miguel Sabat Nuet. O procedimento, realizado no cemitério Dom Bosco em São Paulo, foi feito a pedido do Ministério Público e autorizado pela procuradora Eugênia Fávero.

Miguel teria morrido em 30 de outubro de 1973, depois de ser preso em São Paulo por policiais do Departamento de Operações Internas (DOI) para averiguações. De acordo com os documentos oficiais, ele teria cometido suicídio na prisão.

Miguel era espanhol naturalizado venezuelano e na ficha encontrada nos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) havia um "T" marcada em vermelho, símbolo usado para identificar os "terroristas", ou seja, aqueles que se opunham ao regime militar.

De acordo com Criméia Almeida, participante da comissão, desde a abertura dos arquivos do DOPS, em 1992, as tentativas de localização da família foram fracassadas. Há poucos meses, entretanto, foram encontrados parentes de Miguel na Venezuela e na Espanha, que pediram o envio dos restos mortais.

Segundo Criméia, não há registros da participação de Miguel em movimentos políticos e a família também desconhece o envolvimento dele em qualquer tipo de organização.

Foram retirados 73 ossos, incluindo a arcada dentária, que serão analisados no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. Não há previsão para conclusão dos exames de identificação. O processo está sendo acompanhado pela Comissão dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos a pedido da família de Miguel.

Nós estamos cumprindo o que a lei nos obriga a cumprir e manteremos contato com eles [parentes] medida que os trabalhos forem sendo desenvolvidos , relatou o presidente da comissão, Marco Antonio Barbosa. Segundo ele, por enquanto, não há previsão para mais exumações.