São Paulo – Falta uma semana para que os ovos “com menos colesterol” sejam retirados dos supermercados de todo o País. A decisão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi tomada no mês passado, com base em denúncias de que esses ovos têm a mesma quantidade de colesterol ou até mais do que os tradicionais. A única diferença é o preço: enquanto dez ovos “com menos colesterol” não saem por menos de R$ 3, 90, uma dúzia dos tradicionais custa R$ 2,80.

Diminuir o colesterol dos ovos é um desafio que existe há 30 anos. “Em nenhum lugar do mundo há quem tenha conseguido”, diz Alfredo Onoe, diretor do setor de ovos da União Brasileira de Avicultura (UBA) e vice-presidente da Associação Paulista de Avicultura (APA). Mesmo assim, nos últimos anos, duas marcas surgiram no mercado brasileiro, prometendo ovos com 20% e até 40% menos colesterol do que os convencionais.

Enganação

Um estudo feito na Universidade de São Paulo (USP), divulgado no fim do ano passado, analisou dez marcas de ovos, incluindo as duas que alegam ter colesterol reduzido. No caso desses ovos especiais, a quantidade de colesterol que eles tinham era maior do que a estampada na embalagem do produto.

Desde 1999, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também tem denunciado que o consumidor é enganado ao comprar ovos “com menos colesterol”.