O padre Julio Lancellotti depôs na 31ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, no processo aberto depois que acusou o ex-interno da Febem Anderson Batista de extorsão. Lancellotti contou ao juiz Caio Farto Salles detalhes de ameaças de morte e de um assalto que sofreu na rua – além de outros dois à sua casa, já divulgados -, que teria sido realizado pelo grupo comandado por Batista. Estão presos por extorsão Batista, sua mulher, Conceição Eletério, e os irmãos Evandro e Everson Guimarães

O religioso disse que chegou a ser agredido e arrastado pela rua num assalto em julho do ano passado. Em novembro, a casa de Lancellotti, onde também moram sua mãe e uma sobrinha, foi invadida duas vezes. O padre contou ainda que Conceição utilizava seu filho de 8 anos para pegar dinheiro com ele dentro da Paróquia São Miguel Arcanjo, na zona leste.

De acordo com o advogado de Lancellotti, Luiz Eduardo Greenhalgh ?do ponto de vista da defesa foi um excelente depoimento?. ?Foi um depoimento concatenado, que historiou desde o primeiro momento em que ele se viu envolvido nessa questão, como é que foi feita a extorsão, como foi obrigado a fazer as coisas, como ele ficou com medo, como é que foram os assaltos, a ameaça de morte, uma série de coisas?, afirmou Greenhalgh

Já para o advogado dos quatro acusados, Nelson Bernardo da Costa Lancellotti se mostrou ?desesperado? perante o juiz, e o depoimento foi frágil. ?O padre ficou emocionado. Nesta terça, ele admitiu ao juiz que teria dado cerca de R$ 150 mil ao Anderson?, contou Costa.

O padre foi o primeiro a depor. Também prestaram depoimento dois policiais civis.

A Justiça negou na sexta-feira os pedidos de revogação de prisão preventiva de Batista, Conceição e Evandro, além da liberdade provisória de Everson, preso em flagrante quando recebia R$ 2 mil do padre em 6 de setembro.