Foto: Arquivo/O Estado

Marcos Pontes: confrontando a Agência Espacial Brasileira.

Representantes da Nasa e da Agência Espacial Brasileira (AEB) fizeram ontem a primeira reunião – via teleconferência – para renegociar o acordo de participação do Brasil no projeto da Estação Espacial Internacional (ISS). A parceria está sem rumo definido há pelo menos quatro anos, desde que ficou claro que o País não conseguiria cumprir com os compromissos firmados no acordo original, de 1997, que previa a fabricação de seis peças para a base orbital, no valor de US$ 120 milhões.

Desde então, a lista de equipamentos a serem contratados foi reduzida e renegociada diversas vezes, sem chegar ainda a um resultado compatível com as condições orçamentárias do País. A reunião de ontem foi a primeira desde o vôo do astronauta Marcos Pontes, em abril, e da retomada definitiva dos vôos com os ônibus espaciais da Nasa – os únicos capazes de transportar as partes que faltam para conclusão da ISS, interrompida há mais de dois anos pela tragédia com o Columbia. ?Isso muda totalmente o quadro dos termos de construção da estação?, disse o gerente do Programa ISS-Brasil da AEB, Raimundo Mussi, antes da reunião. ?A decisão governamental é que continuemos a participar (da construção da ISS).? O Brasil é um dos sócios minoritários da estação, que conta com a participação de 16 países.

Segundo Mussi, o objetivo é chegar a um acordo que seja adequado para ambos os lados. ?Não há mais tempo a perder?, disse. O orçamento da agência espacial para este ano, segundo ele, tem R$ 5 milhões reservados para a ISS. As negociações deverão continuar via telefone até que um novo protocolo possa ser assinado. As exigências da Nasa são rígidas, e a construção das peças – por empresas brasileiras – deverá levar vários anos. ?Fazer as peças não é só querer?, disse Mussi. ?Temos de fazer a qualificação das empresas e garantir a qualificação de cada funcionário que vai operar cada máquina, apertar cada botão.?

A reunião de ontem não teve a participação de Marcos Pontes, astronauta brasileiro que neste ano participou de uma missão na ISS. Declarações recentes do astronauta voltaram a causar estranheza dentro da AEB, dois meses após seu retorno do espaço e de sua polêmica decisão de entrar para a reserva da Aeronáutica. Em um longo artigo publicado em sua webpage há duas semanas, Pontes conta como o Brasil esteve ameaçado de ser ?dispensado? do projeto da ISS e se coloca como interlocutor brasileiro nas negociações. ?Nesses últimos meses tenho trabalhado intensamente junto à Nasa, aqui em Houston, para resolver o problema da permanência do Brasil no programa. Os resultados positivos já são reais e estamos prestes a resolver de vez o problema?, escreveu o astronauta.

Segundo ele, o risco de o País ser expulso do programa ainda existe, mas a Nasa mostrou-se disposta a modificar os componentes da participação brasileira. Segundo a Agência Espacial Brasileira, a primeira comunicação oficial com a Nasa foi a teleconferência de ontem. O astronauta não possui mais nenhum vínculo com a AEB. ?Sou a única pessoa que pode falar oficialmente com a Nasa?, disse Mussi.